Os dias foram passando.
Semanas, finais de semana. Meses. Um ano. E nada aconteceu. Triste? Não. Hoje,
talvez. Mas quero um dia lembrar, sem raiva, sem tristeza, sem saudade.
Acreditar, finalmente, no que todos dizem: o tempo cura. Por que o passado com
certeza não deve viver pra sempre. E não vive.
O que foi bonito, fica. O
cachorro quente nos finais de tarde. O colchão na varanda. O céu, as estrelas e
os dedos que apontam. Ficam também as risadas intermináveis. As velas no
corredor. A coberta esquentando duas pessoas numa madrugada fria, num lugar
frio. Fica aquele sorriso involuntário quando se lembra de um momento. Ficam os
cheiros. O fogo. Os olhares. As musicas que fiz. Os poemas. As fotos que tirei.
O coração de pelúcia com a etiqueta no guarda roupa. As flores que espero estar
plantadas em algum lugar perto do quarto.
Fiz tudo o que podia. Para
que não faltassem razões para sorrir. Com meu jeito torto, impulsivo. Fiz o
melhor que pude. E eu acho tudo isso muito bonito.
Não amei a pessoa errada.
Nem na hora errada. Apenas amei. E vivi. Não tive mais nem menos do que merecia.
Não culpo o preconceito. Nem a falta de coragem. Muito menos a falta de
reconhecimento. Era pra mim. Agradeço e passo. Obrigada!
Isso não quer dizer que irei
me proteger. Não quer dizer que deixarei meu coração na zona de conforto.
Nunca. Abro meu coração hoje. Como uma janela colorida do pelourinho que se
abre de manhã bem cedo. Então, passa a baiana vendendo acarajé. E ela diz: diaaa,
senhorita!
O que perdi eu não quero
mais. Já doeu o que tinha que doer. Eu quero a paz e a tranqüilidade de nada se
exigir em troca. Eu
quero apenas encontrar novas razões. Surpresas boas. Dias engraçados. Novas
conversas. Novas pessoas. Novas idéias.
Não tenho nenhuma rota traçada
pra seguir. A única certeza que tenho é que vou enviar quantas flores eu achar
que devo. Por que nada, nem ninguém vão tirar de mim a alegria que tenho de
viver.
Agora, com licença, preciso
realmente ir. Minha felicidade anda querendo passar.
Josane H.
Musica perfeita:
