31 de outubro de 2013
25 de outubro de 2013
Água para matar a sede
![]() |
| Cena do filme "Diário de uma paixão" |
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Esses dias uma velha amiga me ligou. Fazia tempo que não nos falávamos e quando percebi que a conversa seria longa, perguntei “onde você tá?”.
Eu nem sabia
que horas eram. Sabia que já passava das onze da noite. Mas nunca é tarde para
os amigos.
Quando
entrei no apartamento dela, o abraço demorado mostrou que eu deveria ter ido.
A sala
estava com algumas caixas e malas. E nem mesmo o som de Chico fez diminuir
aquela sensação de vazio, de tristeza.
Ela me
serviu uma cerveja, colocou uns queijinhos na mesa da sacada e antes de falar
qualquer palavra, apenas me olhou e disse “uma vez li no seu blog que o amor
não dói, Jô, mas dói sim”.
Estudamos
juntas, ela queria casar, casou, ter filho, teve, formar uma família, formou. E
essa família estava se desfazendo e isso sim doía. Os sonhos dela estavam se
desfazendo.
Não somos amigas de se ver sempre. Não nos vemos em nossos aniversários. Nem nos falamos no natal. E por um breve momento, eu sentada ali, ouvindo o que ela tinha pra dizer pensei “cadê as amigas dessa moça?”.
Senti,
quando o vento soprou mais forte e passou por mim, que foi Deus quem me colocou
ali. E eu tinha que fazer algo por ela. E ouvir já seria um bom começo. Meu pai
me ensinou isso. Ouvir. E foi o que eu fiz.
Depois de um
tempo percebi que na verdade ela também estava fazendo algo por mim, que talvez
nenhuma terapeuta faça.
Existe sim,
dor no amor. Mas não no próprio amor. O verdadeiro amor é intocável. Ele nasce,
cresce e, sim, pode acabar. E é justamente nesse momento, que a dor aparece e em
vários momentos.
Sentir a dor
de se perder um amor é necessário, como tomar água para matar a sede.
Primeiro vem
a dor de quando a relação acaba. O desejo acabou para a outra pessoa. Você tem
que se acostumar com a ausência dela. Isso é difícil. Entender que os velhos
costumes não vão existir mais. Que aquele restaurante que vocês frequentavam
juntos ficou no passado. Que as conversas até de madrugada não vão acontecer
mais.
Com o tempo,
surge outra dor. A dor de perceber que a vida pode ser interessante novamente. Talvez
com outro alguém, com novos amigos desse outro alguém, com a nova família desse
alguém. Aí dói. Por que estamos acostumados ao amor daquela outra que amamos,
que nos foi retribuído e vivido intensamente. E você acha que amor igual a esse
nunca mais vai ter na vida. Por que era tão bonito, tão verdadeiro, impecável. Você
não quer abrir mão daquilo que já viveu. Mas essa é a justamente a questão: já
foi, já viveu.
E na verdade,
é só o medo de recomeçar que assusta. Você já não ama aquela pessoa mais, como
antes, mas gosta do amor que sentia por ela. Se admira por isso. Se admira por
tudo o que viveu.
A última dor
é a dor de sentir que esse amor já não está mais dentro de você.
Depois de alcançarmos
juntas, eu e ela, essas respostas, compreendemos que era preciso sentir toda essa dor sim. A dor de ver as malas na sala. As caixas com as coisas dele dentro.
Não falei nada pra ela sobre mim. Não era preciso. Mas falamos sobre essas dores. Todas elas. E foi tão bom pro meu coração. Valeu mais que muitas sessões de terapia.
Não falei nada pra ela sobre mim. Não era preciso. Mas falamos sobre essas dores. Todas elas. E foi tão bom pro meu coração. Valeu mais que muitas sessões de terapia.
Nos despedimos
com os olhos cheios d´água, mas com a alma limpa.
Tão limpa quanto o céu de
manhãs de outono, depois de chover a noite toda.
Josane H.
22 de outubro de 2013
Paroxismo Histérico
Tenho sentido muito medo de
enlouquecer.
Lendo histórias de mulheres consideras
loucas.
Pra ver se sou menos um pouco.
Pra ver se sou menos um pouco.
Ou se estou piorando.
E nessa busca de verdades sobre loucura
descobri ontem
que a origem da palavra “histeria”vem do grego “HYSTERIA”,
que quer dizer “Ovário”.
Histeria era considerada antigamente uma
“doença de mulher”.
Sabe quais eram os sintomas?
Insônia, inchaço abdominal,
irritabilidade, “fogo” nas partes íntimas!
E o tratamento?
“Paroxismo Histérico”
“Paroxismo Histérico”
Primeira opção de tratamento: Jato com água intensa
na "perseguida"
(quem brincou de chuveirinho, sabe o
que estou falando).
E ah, quando não funcionava,
os médicos optavam pela segunda opção:
masturbavam as mulheres!
Sim, com as próprias mãos.
O vibrador foi inventado nessa época e era livremente vendido,
O vibrador foi inventado nessa época e era livremente vendido,
não como um aparelho sexual, mas sim
como um instrumento
calmante que trazia benefícios para
saúde feminina.
Imagina?
- amor, tô com dor de cabeça, vou ali
no quarto
fazer um “Paroxismo Histérico” e já volto querido.
fazer um “Paroxismo Histérico” e já volto querido.
Bom, pra resumir. Sabe qual era a cura
para Histeria Feminina?
Orgasmos!
Sim. Isso mesmo. ORGASMOS.
Sim. Isso mesmo. ORGASMOS.
Não é engraçado quanta loucura se
descobre
entre aqueles que estudam a loucura?
Mas será que é tão loucura assim?
Aí, veio um tal de Freud e sua Psicanálise
e acabou com a alegria da mulherada.
Botou elas no divã.
e acabou com a alegria da mulherada.
Botou elas no divã.
Ô pé no saco!
Vibrador virou mais um paradigma.
E alguém disse uma vez:
“Sem música a vida seria um erro”.
Estou pensando - pra terminar o texto:
Sem sexo, gente louca e muita
sacanagem...
aí sim, a vida seria um baita erro.
Um erro gigante!
Um erro gigante!
Só coloquei isso no final pra terminar
com efeito.
E achei "um erro gigante" bem esdrúxulo.
Sim, eu sei escrever "esdrúxulo".
E achei "um erro gigante" bem esdrúxulo.
Sim, eu sei escrever "esdrúxulo".
Mas... eu penso exatamente assim.
A vida sem sexo, seja pensando em sexo, falando de sexo,
fazendo sexo, esperando pelo sexo...
seria mesmo umaputa chatice!
A vida sem sexo, seja pensando em sexo, falando de sexo,
fazendo sexo, esperando pelo sexo...
seria mesmo uma
Obs.: a cura para Histeria Feminina
continua sendo orgasmo em 2013.
Josane H.
E pra finalizar, assistam uma série de
vídeos com mulheres
tentando ler enquanto são estimuladas
sexualmente.
Adorei!
Adorei!
Incrível!
Você nasceu por que?
Tem gente que nasce para ser médico
Tem gente que nasce para ser mãe
Outros, para ser filho
Gente que nasce para ganhar dinheiro
Outros, para ser feliz
Outros, estão só de passagem
Tem aquele que nasce para ser um bom marido
Também tem aquele que apenas nasce
e morre sem saber por que nasceu
Eu?
Ah, eu nasci para amar.
Eu acho isso bonito.
Acho isso ridículo.
Mas essa sou eu.
Josane H.
Eu acho isso bonito.
Acho isso ridículo.
Mas essa sou eu.
Josane H.
21 de outubro de 2013
Leoni sempre Leoni
Só não gosta de Leoni quem não conhece.
Estou encantada - como sempre e mais um pouco.
O bom de gostar do Leoni é que
não importa quanto tempo leva
pra você ouvir ele novamente,
até as mesmas músicas,
quando você escuta
é como se estivesse ouvindo
pela primeira vez.
Leoni é sempre Leoni.
Aprendi a amar Leoni, amando.
Todas as vezes.
Estou encantada - como sempre e mais um pouco.
O bom de gostar do Leoni é que
não importa quanto tempo leva
pra você ouvir ele novamente,
até as mesmas músicas,
quando você escuta
é como se estivesse ouvindo
pela primeira vez.
Leoni é sempre Leoni.
Aprendi a amar Leoni, amando.
Todas as vezes.
17 de outubro de 2013
Almoço com Rosecler
Minha mãe me ligou ontem à noite e
disse “quero comprar um smartphone, Jô, igual esses que vocês usam, entra na internet, vê email, tira foto, tem wat não sei o quê”.
Hoje, liguei cedo pra ela e a chamei pra
almoçar comigo no shopping e ver se encontrávamos algum celular bem bacana. Quando
parei o carro na frente do seu escritório e ela apareceu, olhei e pensei “puts,
que mãe mais bonita que eu tenho”.
Pensa numa mulher bonita, bem vestida,
perfumada. É serio. Essa é a parte boa de ser filha de mãe nova. Minha mãe me
teve com 18 anos e isso quer dizer que já temos quase a mesma idade hoje.
Praticamente irmãs. No futuro, duas velhinhas aproveitando os bingos da cidade,
juntas!
Enfim, almoçamos, demos boas risadas,
ela perguntou sobre a nova namorada, sobre o trabalho. Me falou sobre os móveis
do escritório, da academia, cirurgia plástica. Conversa vai, conversa vem, comentei
sobre a possibilidade de eu ir morar em Goiânia ano que vem, ela olhou e
perguntou: você iria, Jô?
E eu respondi “que graça tem viver longe da família,
mãe? Tem que ganhar muito bem pra poder vir todo final de semana pra cá e em um
ano comprar uma casa aqui, por que aqui é meu lugar, do seu lado, do meu pai e
do meus irmãos...”. Ela riu e disse que eu era boba. Então, me abraçou, pegou
na minha cintura e caminhamos assim pelo shopping.
Compramos o celular que ela
queria, comemos um chocolate delicioso e ela ficou parecendo criança, toda
feliz e satisfeita. E eu? Eu agradeci em silêncio a Deus, por ter tanta sorte
na vida.
Eu não sei quantos anos Tolstoi tinha
quando escreveu que a verdadeira felicidade está entre as alegrias da família. Tenho
34 anos e tenho certeza que não tem mesmo felicidade mais real que a de poder compartilhar
momentos com a família.
Não me vejo morando mais que 100 km de distância da
minha mãe ou do meu pai. Isso não quer dizer que não possa morar. Só acho difícil
ser mais feliz do que sou com eles aqui, pertinho de mim.
Josane H.
É o que temos pra hoje
Chegou
a nova flor
- me apresso toda.
Mas a chuva nem passou
O
apreço vai perdendo o preço
e forma uma ilusão de outra forma.
e forma uma ilusão de outra forma.
Fica dentro dessa essência infinita
a alma do milagre do amor
e suas reais tempestades.
.
.
Opa!
Opa!
Pode
parar!
Que
merda de texto é esse?
O
que é isso aí em cima, Arnaldo?
Ficou péssimo!
Ficou péssimo!
Volta
3 casas AGORA!
Bom,
vamos de Lulu cantando Roberto
que
é o que temos de melhor pra hoje!
Boa quinta!
Boa quinta!
15 de outubro de 2013
A idiotice é vital para a felicidade
Esses dias atrás, conversando com uma amiga, acabamos brigando por conta
do facebook. Veja só que coisa. Ela adicionou uma pessoa que nunca viu na vida,
por que esse “carinha” postava coisas legais. Não é um Arnaldo Jabor, ok.
Também não possui ideias próprias, ok. Ele escreve certo com “s”, ok. O tipo
clássico de pessoa que posta e compartilha mensagensinha “fofas” com fotinhas.
Auto ajuda, coisas de guerreiro em ação, falcão, atitude, metáforas de fácil
entendimento, natureza, transformação, o poder da vida, experiência. Frases de
impacto, não inteligentes, ok. Até aí tudo bem. Quando fui ver com
mais cuidado, percebi nas respostas dos comentários dele que algo estava
estranho.
Resolvi (maldita hora): dar uma olhada a fundo. Momento CSI
Crime Scene Investigation. Em 10 minutos descobri que aquele homem
tinha mais 2 perfis no face, dos tipo Reginaldo Rossi estilizado. Os
comentários eram, em sua maioria de mulheres, aparentemente, solitárias. Ele
postava o dia inteiro e a madrugada inteira. O tempo todo. Mas o pior - o pior
de tudo mesmo - é que ele não sabia onde estavam os próprios filhos. Descobri
nos comentários em uma de suas fotos crocodilo dundee, quando ele responde para
uma pessoa que perguntou sobre seus filhos: “eu não sei dos meus filhos, nem os
reconheceria”. Pensei: opa, não é mesmo boa pessoa!
Bom, pra resumir. Resolvi avisar minha amiga, já que ela tinha me dito
que estava conversando com ele por bate papo. Caí com a cara no chão, claro!
Ela achou minha atitude infantil, disse que achava bonito o que essa pessoa
postava, que eu não tinha nada a ver com a vida dela. Uma amizade de 30 anos
jogada fora.
Disso tudo, ficaram algumas lições.
Primeira: nem sempre o que você pensa ser melhor pra alguém é. Segunda: nem sempre virtudes que você admira são as mesmas que outras pessoas admiram. E daí que o cara não cuida dos filhos, ele posta frases bonitas. Terceira: as vezes o melhor que podemos fazer pra nós mesmos é cuidar da nossa vida. E pronto! Essa terceira lição diz tudo e resume o que é a vida: cada um cuidando da sua é melhor!
Primeira: nem sempre o que você pensa ser melhor pra alguém é. Segunda: nem sempre virtudes que você admira são as mesmas que outras pessoas admiram. E daí que o cara não cuida dos filhos, ele posta frases bonitas. Terceira: as vezes o melhor que podemos fazer pra nós mesmos é cuidar da nossa vida. E pronto! Essa terceira lição diz tudo e resume o que é a vida: cada um cuidando da sua é melhor!
Hoje, olhei meu facebook umas duas vezes. Curti algumas coisas, falei oi
pra um amigo no bate papo. E pensei: que bosta!
Mas, no fundo somos todos um “medrosos”. Medo de sair dessa nave e ficar
sem saber de nada. Fulana procriou, a outra chegou da viagem, alguém noivou.
Gislaine não postou nada no final de semana? Então não saiu ou tá doente, será?
Marilene foi na balada com Ana Lucia? Olha, que falsa! Tamiris postou a foto do casamento e ela estava com vestido lindo de morrer.
O pior: sair do facebook pode gerar níveis altos de ausência de convites para as festas. Ninguém vai lembrar de você. Que medo, né?
O pior: sair do facebook pode gerar níveis altos de ausência de convites para as festas. Ninguém vai lembrar de você. Que medo, né?
Sabe, eu não posto “partiu trabalho”, nem “partiu piscina”. Aliás, a
última vez que postei foi há 20 dias atrás, uma foto de quando era criança e
mais de 60 pessoas curtiram. Ui, me senti a celebridade, mas na verdade as
pessoas curtiram o texto que escrevi antes das fotos. Isso sim foi bacana.
Minha ideia, minhas palavras, eu. Isso por que as pessoas estão ávidas por
criatividade de verdade, não só por fotinhas bonitinhas. E? Só que não!
Não sei quanto tempo mais fico dentro dessa nave brega chamada facebook.
Tem coisas boas sim. Mas é tão raro. Fico mais um dia, um mês, um ano. Não sei.
Só sei que estou bem cansada disso tudo. Cansada de futilidades, do menos, do
sonso, do bobo. Cansada da desvalorização do tempo, do intenso, do
verdadeiro.
O virtual cresce, o
real se esconde, se enfraquece. O mundo com o facebook é menos solitário, mas
deve ser bem mais real, muito mais concreto. Estou bem triste por perder uma
amizade. Mas daí, é outra história. Fica pra outro dia.
Folha de São Paulo
“O Facebook já está infestado de perfis falsos. Não só daqueles que os
amigos fazem para "divulgar" uma pessoa conhecida que não está a fim
de entrar na rede social. A rede está cheia de perfis falsos mesmo, daqueles
mal-intencionados.” (Marion Strecker - é jornalista e cofundadora do UOL) Folha
de São Paulo
Revista Época
“O hábito de olhar o face estava tomando uma proporção incômoda.
Deixava a página aberta enquanto trabalhava, sempre dando uma olhadinha. Aí
vinha a vontade de debater com aquele amigo que publicou uma frase que, para
mim, era preconceituosa ou não fazia sentido. Alguém respondia, eu retrucava.
Eram comentários e mais comentários… E ninguém mudava de opinião; eu,
inclusive. Tinha uma postura passiva: esperava receber as notícias. Se o amigo
não postava muito no Facebook, eu ficava sem saber nada sobre ele. Gostei mais
da minha rotina sem o facebook. Sobrou mais tempo; irrito-me menos; fortaleci
as relações mais importantes para mim.” (Juliana Doretto - jornalista Colunista
da Época)
Jornal Estadão
“O Wall Street Journal divulgou uma pesquisa que afirma que mais de 1/3
dos divórcios nos EUA tem a palavra “Facebook” citada no processo. O estudo é
da Divorce Online, uma empresa de advogados.”
E já que falei do Arnaldo Jabor e de frases prontas...
Vou finalizar meu
texto com essa ó - prontinha:
“A idiotice é vital para a felicidade”.
Também termino esse texto com a canção que fala sobre “Solidão” do Alceu
Valença. Esse já é o grande mal da humanidade: a solidão. Talvez, por isso,
tantas pessoas estão se enchendo do um conforto falso e ilusório que as redes
sociais proporcionam. Viramos submissos da solidão. Acreditamos fielmente
que estamos cheios de gente por perto. Nossa, 500 amigos no face? Olha?!
No fundo, nunca estivemos tão sozinhos.
E fim. Era o que havia para o momento.
Josane H.
14 de outubro de 2013
Flores de maio em outubro
(ler ouvindo é muito melhor | aperte play | leia)
Flores de maio em outubro
Meu pai costuma dizer que cavalo arreado
não passa
duas vezes no mesmo lugar
Eu
vi grandes cavalos passarem por mim
Alguns
com seus arreios lustrosos, firmes
de
olhares confortantes, sinceros
Outros
selvagens, que logo sumiam de vista
soltos,
solitários, ágeis, fortes
Lembro-me
de todos que fui capaz de montar
Lembro-me
dos que deixei ir embora
E me
esqueço, todos os dias, de cada tombo
Aprendi,
ganhando e perdendo
a carregar
minhas dúvidas, minhas certezas
minhas
vitórias, minhas derrotas
Hoje,
são guardadas em panos limpos e brancos
que as
vezes abro para olhar
Dias
em que me orgulho
Dias
em que me arrependo
Sigo
o caminho do bem, da generosidade
e sei
que é o melhor que posso fazer
para
o mundo, para minha família, para mim
Nessa
estrada que escolhi,
avistar
cavalos arreados é tão raro
Como
flores de maio em outubro
Mas
a vida vai me mostrando
que
o impossível não existe
Josane H.
14 de outubro de 2013
Josane H.
14 de outubro de 2013
11 de outubro de 2013
10 de outubro de 2013
Estante
O poema “A Arte de Perder”
de Elisabeth Bishop nunca fez sentido para mim, desde o primeiro dia em que o
li. Sempre questionei. Talvez por puro egocentrismo ou falta de maturidade, eu
não sei. Passei os últimos anos da minha vida acreditando que eu podia ter
tudo, que nada podia fugir de mim, que o que eu tenho eu não deveria perder.
Busquei insistentemente não perder nada. Nenhum instante, nenhum minuto sequer, nenhuma chave de todas as portas que eu abri, nenhuma parte de todos os estilhaços que caíram ao meu lado. Se eu perdia, corria pra achar. Se quebrava, corria pra remontar. Quantas noites juntei cacos, pedacinho por pedacinho, colando, remendando. Olhava a estante de longe e pensava: pronto, já dá pra colocar no lugar de novo. Ninguém vai reparar que quebrou. E voltava pra minha vida.
A verdade é que chega uma
hora que você olha para a estante com mais cuidado. Com outros olhos. E isso
acontece tão raramente. As vezes dura segundos. Você olha, talvez com a
intenção dócil de tirar o pó. Pra ver se ainda está ali aquele porta retrato
que caiu e você arrumou, dar uma folheada naquele livro que uma vez você
emprestou, ouvir o DVD daquela cantora que você amava, o molho de chaves
daquela casa antiga que agora está alugada e todos os vasos que já caíram e
você colou.
Uma vez – e não faz muito
tempo – lembro que joguei tudo no chão. Tudo. Minha estante inteira no chão.
Tudo quebrado. O que não quebrou, rasguei, cortei, amassei. E me senti
péssima depois. Um dia, voltei na sala. Refiz a estante, arrumei o que tinha quebrado,
costurei, colei, remendei. Coloquei tudo no lugar. E o tempo passou.
Mas olhando agora, para
minha estante, comecei a ver que não preciso guardar nada disso. Que tem coisas
que não servem mais. Que não fazem parte de que sou hoje. Os vasos não ficaram
tão bonitos como eram antes. Sim, foram charmosos um dia, mas olhando pra eles
agora, posso ver cada remendo. Ao me lembrar dos cortes que fiz para juntá-los,
penso até que valeu a pena. Mas hoje, hoje são somente vasos remendados. O
retrato não precisa ficar a mostra por que já amarelou com o tempo. O que foi
bom, simplesmente foi. Não é mais. Como a canção que hoje já não faz sentido.
Como a árvore no fundo daquela foto que hoje não existe mais.
Se eu entendi o poema?
Não. Ou ainda não como deveria. Há uma caixa cheia de coisas novas na sala. Mas
o medo do novo é destruidor, não é? O novo, por mais que seja cheio é vazio se
pararmos pra pensar. O novo não tem passado. Não tem história. O novo acovarda
até os mais corajosos. Somos, bem lá no fundo, guerreiros que relutam para
aceitar uma nova espada. A gente sabe que a caixa está cheia de novidades, mas
não tem força suficiente para ir até elas.
Mas hoje, exatamente hoje,
dia dez de outubro de 2013, olhei para as caixas repletas de coisas novas na
sala. E mesmo assustada, mesmo com minhas mãos se desviando, meu corpo
contestando e meu coração aflito, comecei a abri-las. Sim. Passa pela
minha cabeça começar a montar outra estante e deixar essa que já
existe como está. Mas não posso, não é? Preciso aprender a perder. Entender “a
arte de perder” talvez ou finalmente.
Então, sentadas, eu e
Elisabeth Bishop, nessa minha sala, tomando um bom vinho, rimos juntas olhando
para minha estante. Cheia de histórias, de lembranças, de vasos inteiros,
outros remendados, de fotos amareladas, de cartas que nunca foram enviadas, de
belas canções, de sapatos com solas bem gastas, de chaves de casas por onde não
entro mais, de relógios com marcador parado.
Me pergunto, em silêncio:
por que eu acho que não entendi o poema ainda? Por que eu acho que não faz
sentido desfazer de tudo isso? Mas afinal, é meu? Ou tudo é passageiro o
suficiente para não precisar de estante?
Josane H.
5 de outubro de 2013
Sábado na agência
Sozinha aqui na agência em plena tarde de sol de sábado.
Trabalhando.
Patu Fu cantando Música de Brinquedo.
Já conhecia. Uma delícia!
Trabalhando.
Ok.
Mas pra ficar feliz e trabalhar em paz precisava de uma trilha boa.
Enya - não.
Beirut - não.
Lista de instrumental - não.
Pronto. Achei.
Patu Fu cantando Música de Brinquedo.
Já conhecia. Uma delícia!
Bom do começo ao fim...
Aproveitem também.
Dá pra chamar o sobrinho pra ouvir, os amigos, a mãe, a tia, o vizinho.
E ser feliz qualquer hora é bom, né?
Curta boas risadas e um som bem gostosinho.
Aproveitem também.
Dá pra chamar o sobrinho pra ouvir, os amigos, a mãe, a tia, o vizinho.
E ser feliz qualquer hora é bom, né?
Curta boas risadas e um som bem gostosinho.
Beijo da Jô
Cento e vinte
E
ficaram ali, entre carros, entre pessoas e seus guarda chuvas,
olhando
além dos olhos.
E
alguém disse:
“eles
não fazem ideia do que é isso que a gente sente”.
Há milhares
de pessoas que passam uma vida inteira
buscando
um momento como esse para viver.
Josane H.
2 de outubro de 2013
A vida no hospício
JORGE
Nada
mais divertido que morar num hospício. Dá trabalho se fingir de louco. Mas vale
a pena. O aluguel é de graça, a comida não é ruim e você ainda tem diversão 24
horas por dia. Melhor que TV a cabo. Tem um gordo que acha que é Napoleão. A
parte engraçada é que ele é gordo. E tem dois metros de altura. E nem sabe
direito quem foi Napoleão. Tem a Dona Valda, que acha que é dona disso aqui.
Tem um louco, o Edmir, que acha que eu sou um armário e inventou que quer
guardar coisas dentro de mim. Às vezes passa horas me perseguindo. É hilário.
Outro dia tivemos um embate físico. Mas nada grave.
EDMIR
Eu
devia ter feito veterinária, passava o dia cuidando de gatinho. Mas não. Passo
o dia limpando cocô na parede e conversando com Napoleão. De todos os ramos da
enfermagem, saúde mental é o mais ingrato. Sobretudo num hospício moderninho
onde o paciente não usa camisa de força. Outro dia tomei um tabefe do Jorge,
que não queria tomar o haldol e saiu gritando: "Eu não sou seu
armário!". Pra piorar, a Dona Valda, que é a proprietária disso aqui, me
obriga a tomar um remedinho. Ela diz que é bom pra eu sentir na pele o que os
loucos sentem. Resultado: tremedeira, babação. Eu devia ter feito veterinária.
VALDA
Eu
comecei isso aqui pra ganhar dinheiro. Mas acabei me apegando. Hoje em dia tem
gente querendo comprar o terreno e fazer um estacionamento. Mas eu não vendo
por nada nesse mundo. Os pacientes precisam de mim. O Edmir é um que eu tenho
vontade de levar pra casa. Um amor de pessoa. De todos os loucos é o que tá
aqui há mais tempo. E até hoje acha que é enfermeiro. Usa jaleco e tudo. As
vezes tenta empurrar um remédio goela abaixo dos outros e termina em briga. Não
faz por mal. Mas o meu preferido mesmo é o nosso Napoleão de dois metros de
altura. Um amor de pessoa. Ah, não vendo isso aqui por nada nesse mundo.
JAIME
Nunca
aprovei a forma com que a saúde mental era tratada no Brasil. Meu pai morreu
num hospício, lobotomizado, no mesmo ano em que eu me formei em medicina. Me
especializei em psiquiatria. Inventei meu próprio método. Aqui não tem
lobotomia, eletrochoque nem camisa de força. Todo o mundo aqui é louco. E todo
o mundo é médico. Me visto de Napoleão porque foi a fantasia que eu consegui
alugar. Eu deveria ter pesquisado mais sobre o personagem. Se eu soubesse que
ele media um metro e meio teria escolhido outra fantasia.
Gregorio Duvivier
Folha de São Paulo
Setembro/2013
1 de outubro de 2013
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