“Colada à
tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas
escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer.”
O melhor é ter o coração cheio de amor, mesmo que ele esteja apertado, sem beijo, sem abraço, mesmo que ele não encontre o outro coração pra bater junto, ainda assim, é bem melhor do que não ter nada dentro dele. Josane H.
Campanha show... da Cacau Show:
Eu
nunca fui uma boa leitora. Se eu não conseguir ler um livro em dois dias,
esquece! Eu não leio mais. E o pior é a minha mania cretina de ficar lendo
trechos, mesmo quando eu nem li o livro inteiro. Isso é péssimo e vergonhoso.
Eu sei. A verdade é que eu leio só o que me interessa. Exemplo disso é “A Casa
dos Budas Ditosos”. Li na mesma noite, inteirinho.
Na
minha adolescência – descobrindo-vivendo-e-dando-a-cara-pra-bater – tive que
entender sozinha o que acontecia comigo. Não vinha nada resumido, viu? Não
tinha internet. Não tinha Google. O máximo era uma professora de sexologia que
ensinava a gente a colocar camisinha na banana.
Nessa
época li vários livros, como “Carol”, “Adeus Maridos”, “Efeito Urano” e agora,
para minha alegria, ganhei meu presente de aniversário. Entre outras histórias
e estórias que me inspiraram, me confortaram, me abriram para um mundo de
possibilidades, vai estrear dia 16 de agosto um filme baseado no livro “Flores
Raras e Banalíssimas”. Estou muito feliz. Meu aniversário é dia 14 de agosto. É ou não é um presente?
O
relacionamento dessas duas mulheres (reais) Lota e Elizabeth Bishop me marcou.
Eu não entendia direito – é claro que não. Mas hoje, diante de tudo o que já vivi, o que passei, por onde estive,
onde cheguei. Puta merda! Agora, talvez, só agora, eu entenda o poema “A arte
de perder”.
“A
arte de perder não é nenhum mistério; Tantas
coisas contêm em si o acidente De
perdê-las, que perder não é nada sério. Perca
um pouquinho a cada dia. Aceite, austero, A
chave perdida, a hora gasta bestamente. A
arte de perder não é nenhum mistério. Depois
perca mais rápido, com mais critério: Lugares,
nomes, a escala subsequente Da
viagem não feita. Nada disso é sério. Perdi
o relógio de mamãe. Ah! E nem quero Lembrar
a perda de três casas excelentes. A
arte de perder não é nenhum mistério. Perdi
duas cidades lindas. E um império Que
era meu, dois rios, e mais um continente. Tenho
saudade deles. Mas não é nada sério. –
Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois
é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por
muito que pareça (Escreve!) muito sério.” Elizabeth
Bishop - Tradução de Paulo Henriques Britto
Estou
ansiosa para ver o filme.
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