30 de outubro de 2014

Conversas boas e novas descobertas



Uma ou duas vezes por semana
fico ao telefone com uma amiga que se mudou pra longe.
Nunca usamos watzap, gostamos de falar.
E nossas conversas acabam sempre 
em novas descobertas musicais.
Ontem, foi essa: novo CD 
em homenagem aos 70 anos de Nelson Motta.
Obrigadaaaa!!!

Trechinho bom da prosa:
- Você tinha tanta certeza de tudo, Jô.
- Mas essa nova fase, cheia de dúvidas, é bem divertida. Até gosto.   
- Alguém um dia falou sobre isso, sobre os tempos de hoje, onde os idiotas tem certeza de tudo, enquanto os sábios estão cheios de dúvidas.
- Hahahaha... eu se fosse sábia não teria dúvidas nenhuma. Se eu fosse sábia, já tinha dado no pé. Viveria de textos semanais vendidos para jornais de cidade pequena sobre contos inconstantes da vida. Alugaria uma casa numa vila de pescadores, com uma rede branca na varanda. Faria amizade com um pescador tocador de viola. Se eu fosse sábia, viveria de pensamentos, de liberdade, de sonhos. Sabe, eu queria era viver de sonhos. Viver de sonho... isso sim é sabedoria.  
- Amanhã escreve isso no blog?
.
.

Taí.

Para ouvir o CD inteiro só clicar aqui





28 de outubro de 2014

Chororô na chuva




.
.
.
- Mas seu Tonho
o senhô me desce mais uma
e me conte sobre esse choro 
que vem quando chove?

Pois eu lhe digo, Dona Maria
o caso que se assucedeu foi o seguinte

fizeram daquele amô
um papel amassado no lixo
cheio de letras com chororô engasgado
rasgado nos versos escritos

fizeram daquele amô
um algodão doce feito de sal
beleza que outrora nuvem
hoje, um gosto de mar
azedo de mal

fizeram daquele amô
um rodamoinho de terra azulada
onde dançam os restos dos girassóis
que ainda enxergam sol
onde há um diacho de escuridão

girassóis que se negam a ser desplantados
que aprenderam a viver sem luz
a Deus dará
como cegos solitários
num barco flutuando no meio do rio

mas veja, minha senhora
era só amô
pobre coitado
o amô mar bonito
que as bandas de cá já ouviu falá

desses que nenhum mal faz, sabe?
daqueles que enchem os zóio d´água
emociona a alma da gente

era só amor, Dona Maria
era só amor...

- e a modi de quê acabô, Seu Tonho?

é como lhe falei
em coração de gente que não sabe o que isso
o amô é só uma palavra
escrita e amassada no papel no lixo

e vamô deixá esse conversê proto dia
que me dá um aperto só de alembrá

aquele amô que existia 
de uma boniteza
nasceu e morreu sem ter morrido

mataram de morte matada

por isso quando chove
aqui por essas bandas
a gente escuta um chororô
vindo lá do alto da cidade

o amô se perdeu sem ter pra onde ir.


Josane H.

27 de outubro de 2014

Paulistana



O que você vai plantar no seu coração
antes da chuva passar?

Corre moça da cidade grande
é estação das flores
solte esses cabelos compridos
que um peito caipira
te enche de sonhos
e realiza teus sorrisos
numa cantoria a beira dos chuviscos.

Corre moça
vem acalmar o teu olhar no meu colo
nesse cantarolar sertanejo do interior
em cada acorde, um carinho
em cada gole, um beijo
canta, canta, vem comigo
longe, perto
solto, livre, como passarinho.

É que esse nosso “conversê”
faz eu “alembrá”
que bem que faz
querer perto alguém assim.


Josane H. 

14 de outubro de 2014

Orgulho de ser caipira

O que eu mais gosto nessa vida?
Roda de amigos com cantoria. 

13 de outubro de 2014

Relacionamentos


- Porque você não quer um relacionamento sério?

(porque eu plantei um coração inteiro de rosas, girassóis, margaridas,
depois girassóis novamente e não houve um só dia que eu não regasse,
flor por flor e, mesmo assim, toda plantação morreu. Moça, a verdade é
que meu coração não é terra fértil não. Eu não planto mais nada nele
e ultimamente nem erva daninha nasce mais.)


- Porque eu quero um relacionamento engraçado!