18 de novembro de 2014
11 de novembro de 2014
Presente
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Quem me conhece sabe que Almir Sater
é minha mais nova antiga paixão.
Esse disco instrumental dele é o melhor.
Pra acompanhar essas modas boas a,
um poema bem caipira.
Ótima terça.
Beijo da Jô
.
.
.
No
sertão tem rapadura
Tem
peixe seco na feira
Tem
cana boa da pura
Tem
broa e tem pão carteira
Tem
facão e tem trinchete
Tem
banco e tem tamborete
Machado
foice e peixeira
Chicote
de couro cru
Tarrafa
anzol landuá
Quixó
pra pegar tiú
Fôjo
pra pegar preá
Tem
alguidá tem tigela
Tem
chaleira e tem panela
De
barro pra cozinhar
No
mato tem aroeira
Mufumbo
, anjico e jucá
Oiticica
e pitombeira
Juazeiro
e trapiá
Cumarú
e imburana
Tem
pequí tem gitirana
Pereiro
e jequitibá
No
serrote tem mocó
Na
roça tem macaxeira
Na
lagoa tem socó
Tem
lambu na capoeira
No
açude tem traíra
Na
serra tem jandaíra
No
ôco da catingueira
Tem
mandacaru cardeiro
Tem
malva e manjirioba
Tem
velame e marmeleiro
Jatobá
e guabiroba
Tem
cipó e tem imbira
Tem
pau-ferro e macambira
Baraúna
e maniçoba
Tem
guará tem guaxinin
Carcará
e gavião
Tem
gambá e tem sonhím
Tem
tejo e camaleão
Ticaca,
peba e tatú
Tem
cobra surucucu
Gato
vermelho e cancão
Na
feira tem tapioca
Tem
quebra queixo e beiju
Tem
bolo de mandioca
Tem
manga jaca e caju
Tem
fava e tem bode assado
Tem
buchada e tem picado
Tem
caranguejo e pitu
Tem
cabresto pra jumento
Tem
rabicho e rabichola
Tem
santinho e terço bento
Tem
arapuca e gaiola
Botão,
carretel de linha
Tem
pão de milho e farinha
E
cego pedindo esmola
Toda
casa e tem toucinho
Pra
temperar o feijão
Tem
pilão e tem moinho
No
terreiro tem capão
Tem
silos cheios de milho
Tem
mais de quatorze filhos
Cada
casal do sertão
Tem
vaquejada e seresta
São
João pra se festejar
Toda
semana tem festa
Forró
pra o povo dançar
Violeiros
repentistas
Os
melhores cordelistas
Que
só Deus soube criar
Tem
o espinho que fura
E
tem a flor do amor
Tem
reza forte que cura
Pra
quem não vai ao doutor
Tem
religiosidade
Tem
gente boa “à vontade”
Povo
de muito valor
Falo,
e posso garantir
Com
muita convicção
O
mundo há de convir
Lhes
dou essa afirmação
Digo
com toda a verdade
Não
falei nem a metade
Do
que tem lá no sertão.
Poema
de Edmilson Garcia
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