11 de novembro de 2014

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Quem me conhece sabe que Almir Sater 
é minha mais nova antiga paixão.
Esse disco instrumental dele é o melhor.
Pra acompanhar essas modas boas a,
um poema bem caipira.
Ótima terça.
Beijo da Jô

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No sertão tem rapadura
Tem peixe seco na feira
Tem cana boa da pura
Tem broa e tem pão carteira
Tem facão e tem trinchete
Tem banco e tem tamborete
Machado foice e peixeira

Chicote de couro cru
Tarrafa anzol landuá
Quixó pra pegar tiú
Fôjo pra pegar preá
Tem alguidá tem tigela
Tem chaleira e tem panela
De barro pra cozinhar

No mato tem aroeira
Mufumbo , anjico e jucá
Oiticica e pitombeira
Juazeiro e trapiá
Cumarú e imburana
Tem pequí tem gitirana

Pereiro e jequitibá
No serrote tem mocó
Na roça tem macaxeira
Na lagoa tem socó
Tem lambu na capoeira
No açude tem traíra
Na serra tem jandaíra

No ôco da catingueira
Tem mandacaru cardeiro
Tem malva e manjirioba
Tem velame e marmeleiro
Jatobá e guabiroba
Tem cipó e tem imbira
Tem pau-ferro e macambira

Baraúna e maniçoba
Tem guará tem guaxinin
Carcará e gavião
Tem gambá e tem sonhím
Tem tejo e camaleão
Ticaca, peba e tatú
Tem cobra surucucu

Gato vermelho e cancão
Na feira tem tapioca
Tem quebra queixo e beiju
Tem bolo de mandioca
Tem manga jaca e caju
Tem fava e tem bode assado
Tem buchada e tem picado

Tem caranguejo e pitu
Tem cabresto pra jumento
Tem rabicho e rabichola
Tem santinho e terço bento
Tem arapuca e gaiola
Botão, carretel de linha
Tem pão de milho e farinha

E cego pedindo esmola
Toda casa e tem toucinho
Pra temperar o feijão
Tem pilão e tem moinho
No terreiro tem capão
Tem silos cheios de milho
Tem mais de quatorze filhos
Cada casal do sertão

Tem vaquejada e seresta
São João pra se festejar
Toda semana tem festa
Forró pra o povo dançar
Violeiros repentistas
Os melhores cordelistas
Que só Deus soube criar

Tem o espinho que fura
E tem a flor do amor
Tem reza forte que cura
Pra quem não vai ao doutor
Tem religiosidade
Tem gente boa “à vontade”
Povo de muito valor

Falo, e posso garantir
Com muita convicção
O mundo há de convir
Lhes dou essa afirmação
Digo com toda a verdade
Não falei nem a metade
Do que tem lá no sertão.


Poema de Edmilson Garcia