30 de novembro de 2011

Minhas loucuras

Eu adoro minhas loucuras. Cada uma delas. Desde de contar azulejos dos banheiros até achar que chupar manga ao lado de alguém é o ato mais afrodisíaco que existe. Esse negocio todo de não ver pedras quando olho pra uma ainda me tenta todos os dias. As vezes me cansa. Eu resisto a tudo, menos as minhas inquietações. Tem dias que tenho um pouco de medo de mim. Mas tem dias que o meu maior medo é me curar de todas as minhas loucuras.

29 de novembro de 2011

A rosa e a couve-flor



















Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:
- Que petulância te chamarem de flor! Sua pele é áspera e rude, enquanto a minha é lisa e sedosa. Seu cheiro é desagradável e repulsivo, enquanto o meu perfume é sensual e envolvente… Seu corpo é grosseiro e feio, enquanto o meu é delicado e elegante. Eu, sim, sou uma flor!
E a couve-flor respondeu:
- Acorda querida! De que adianta ser tão linda, se ninguém te come? Hã?
AUTO-ESTIMA é TUDO!

24 de novembro de 2011

Paula e Carolina





















Toda vez que elas fazem aniversário, lembro de um dia. Do dia que descobrimos que minha mãe estava grávida de duas meninas. Estávamos na sala eu, minha mãe e meu irmão Neto decidindo os nomes. A barriga da minha mãe nem estava tão grande. O Neto ficava passando a mão nela mesmo assim. Minha mãe falava vários nomes, a gente ouvia. Eu então falei uns dez. Mas o tempo todo o Neto dizia “Calulina, Calulina, Calulina, tem que ter uma Calulina mãe”. No final da conversa, já estava decidido: a que nascesse primeiro se chamaria Paula, por que era bonito e meu pai se chama Paulo; a segunda iria se chamar, definitivamente, Carolina. E ai se não chamasse.

E quando elas vieram, o tempo parou. Eram duas, afinal. Avós por todos os lados cheios de orgulho. Tios babões. Dois berçinhos rosas no quarto. Duas avós competindo quem ia dar banho. Roupinhas idênticas. Até os pijaminhas pra dormir eram iguais. Mas as duas eram totalmente diferentes. Além das diferenças físicas, pois a Paulinha tinha cabelo pretinho e a Carol era carequinha, tinha uma diferença de gênio. Mas quando davam pra chorar, faziam juntas. 


As diferenças e as semelhanças foram crescendo com elas. A mais quietinha as vezes virava a mais falante. A mais teimosa por vezes era a mais comportada. Cada uma do seu jeito. Cada uma no seu tempo. Hoje u
ma faz faculdade de direito, a outra se formou em educação física. Uma quer viajar o mundo todo. Outra quer ser a melhor no que faz. Quando as duas saem juntas e eu as vejo entrando no carro, já não são mais as duas menininhas que eu enchia o saco quando eram pequenas. São duas mulheres de 24 anos. Mas eu ainda vejo as duas menininhas de vestidos iguais e rosinhas entrando num carro.

Hoje passei na casa da minha mãe na hora do almoço. As duas estavam lá. Abraço em dobro. E mais uma história de acasos. Me contaram, rindo, que ontem, sem querer, se encontraram na mesma loja onde uma comprava o  presente de aniversario para outra. As duas, na mesma loja, no mesmo horário, com o mesmo objetivo.


E assim, cheias de histórias, vão vivendo duas vidas que se dividem e se somam todos os dias. Enchendo a gente de orgulho. Enchendo a casa de amigos. Enchendo o meu coração de orgulho quando ouço um elogio sobre alguma delas.

Mas eu ainda sou a irmã chata!

Alegria meio triste


Uma amiga me mostrou algumas fotos ontem. Vi você nelas. Olhar seu sorriso ao lado de outra pessoa me fez parar por um momento. Ver que aqueles olhos, que já fiz chorar, estão felizes agora, me trouxe tanta coisa de volta. Foi estranho. Estranho perceber que talvez pudéssemos ser felizes. Estranho saber que posso ter errado ao te deixar por outra pessoa. Fui egoísta. Idiota. Mergulhei de volta para o nada, quando eu tinha tudo. Tantas vezes você foi me buscar. Eu, tola, continuava lá dentro, cada vez mais fundo. Me perdoa. Me perdoa por não te escutar como deveria. Me perdoa por não te dar minhas mãos quando tentava me puxar. Por não acreditar na nossa casinha. Me perdoa por não dizer o quanto eu amava as nossas manhãs de domingo. O pastel na feira. O livro no parque. O passeio com Johnny na praça. Almoço com amigos. Amor ouvindo Norah Jones a tarde. Me perdoa por não acreditar que poderíamos mudar o mundo ou pelo menos o nosso rumo. Me perdoa por não te olhar nos olhos quando eu disse adeus. Por não ter viajado com você. Me perdoa por não entender quando dizia para eu abrir os olhos.
Ao contrário do que o tempo pode fazer com as coisas que tiveram sentido, só pude perceber que havia algo grande em tudo que vivemos quando vi os seus olhos sorrindo ao lado de outra pessoa. Por que o tempo faz isso: ele desfaz aquilo que já teve sentido um dia. Mas eu só pude perceber agora o que fazia sentido de verdade.


23 de novembro de 2011

Natal chegando...


Vamos conversar, né? Olhando meu blog antigo, lembrei do ano de 2009. Especialmente o final do ano de 2009. Cá pra nós que aquele ano foi meio estranho. Resumindo: nada bom pra Josinha aqui! Então, eu resolvi: iria sentar no colo do papai noel e pedir que 2010 fosse melhor e blábláblá...

Fui lá e sentei! Tem até fotinha, ó:



















E não é que 2010 chegou e foi maravilhoso? Tive um dos melhores anos da minha vida! Foi supimpa (oh que palavrinha mais retro e fofa, né?) Tudo ia bem até que... esqueci de sentar no colo do velhinho em dezembro de 2010. Ai, fudeu, veio 2011 e olha no que deu. Por isso, eu digo, mais uma vez: vou sentar no colo do papai noel esse ano! Preciso tirar essa zica. Serei convincente, prometo! Boa menina, humm... vou pensar! E já que em 2012 o mundo vai acabar, que pelo menos acabe no samba e eu feliz até a tampa!
 
Textos blog antigo:
http://josane.blog.terra.com.br/2009/10/30/esse-ano-eu-sento-no-colo-do-papai-noel/

http://josane.blog.terra.com.br/2009/12/11/sentei-no-colo-do-papai-noel-uh-se-sentei/



Bom lembrar...


Mania de ler meu blog antigo pra ver o que eu estava fazendo de bom nessa mesma época de um ano qualquer. Encontrei isso em novembro de 2009.
Estava numa chacara. Tem uma foto e tudo...
Tava bom demais! Lembrei como se fosse ontem. 

Pedacinho do texto:
"Cheirinho bom, abraço de amigo, lamparina
Prosa boa, cantoria, vento na rede
Pingo de chuva, gole de cachaça, cafuné de flor
Pés descalços, trago bom, sorrisos

E se eu tiver que reclamá de arguma coisa
que seja por falta do que reclamá…"

Novembro de 2009 

Meu blog antigo:

No divã com Helles!

Dra. Helles: fases, períodos para reflexão, Jô.
Eu: chatice, períodos de chatice!
Dra. Helles: com Toquinho na cabeça, lembra?
Eu: a vida só se dá pra quem se deu, é isso?
Dra. Helles: é, por aí.
Eu: acontece que já me dei demais pra essa vida. Já me dei demais e recebi miséria. Dá pra dar um tarja preta logo ou tá difícil? Ah, te falei do meu amor tarja preta, do amor menino que já nasceu andando, da flor e do óleo de jabuticaba?
Dra. Helles: do oleo que nao virou presente? Isso vai até onde você quiser ir, Jô.
Eu: você acredita no amor ainda, Helles?
Dra. Helles: você acredita?
Eu: odeio suas respostas com perguntas. Mas, se eu acredito no amor? Eu tenho mais uma chance, né?
Dra. Helles: esta se referindo aquela sua teoria sem sentido de que um coração consegue amar apenas três pessoas de verdade na vida?
Eu: sim...
Dra. Helles: eu tenho mais duas então.
Eu: e eu mais duas também pra encontrar outro psiquiatra.
Dra. Helles: hahahaha...
Eu: por que você há de convir comigo que eu sou o paciente e você, como profissional, tem que tirar da minha cabeça essas teorias ridículas.
Dra. Helles: mas é uma boa teoria! Ridícula, mas é boa!
Eu: certo, e o tarja black?

Mulher cebola!


Eu não entendo aquelas pessoas que não desistem de mim. Agradeço, mas não entendo. Eu sou complicada, chata, imprevisível. Meu humor é altamente instável. As vezes sou cebola e outras sushi. Por partes ou inteira. É assim que posso me entregar a qualquer momento. Vai da sorte. Sou hipocondríaca. Chorona. Inquieta feito aquele bicho que anda na gente. Falo demais quando bebo. Quieta demais quando me desiludo. Odeio minhas desilusões inúteis. Odeio gente sem desilusões, principalmente amorosas. Fico pensando nessa gente toda. E nessa tal felicidade. Nesse tal de amor. Puta que o pariu. Ele, esse tal de amor.
Alguém prepara uma dose de tequila hoje que eu já comprei limão e sal.
Vivo um filme. Catastrófico. Mas eu não troco por nada nesse mundo.


21 de novembro de 2011

Final de semana com Caio


Tinha que trabalhar no sábado. Acordei com bilhete ao lado: não esquecer do Caio.
Ele não para de falar um minuto. No caminho para produtora, passamos embaixo de um viaduto.
Eu: Caio, esse viaduto chama Papa Joao Paulo segundo.
Caio: ta.
Depois de um tempo.
Eu: Caio, como era o nome daquele viaduto mesmo?
Caio: .... humm... papa alguma coisa!
Ele viu uma propaganda de oficina, com aqueles bonecos doidos na frente.
Caio: como chama esse negocio colorido laranja?
Eu: boneco doido!
Caio: hahahahaha....
.
.
Chegando na produtora.
Caio: hahahahaha...
Eu: que que é que você ta rindo tanto?
Caio: boneco doido! Hahahaha...

Trabalhou comigo bonitinho. Ficou deitadinho assistindo desenho na ilha de edição. Depois de quarenta minutos – tempo maximo que ele consegue ficar quieto ou interessado em algo sem ser vídeo game – ele diz:
Caio: Jô, to com uma fome. Eu não mamei!
Eu: como não, eu te dei a mamadeira.
Caio: é verdade, mas eu esqueci de mamar, agora to com fome de comida.

Fomos no cinema a tarde. Ao invés de pipoca, comprei aquelas bolinhas de frango (mini chickens) pra ele. Já dentro do cinema, ele solta mais uma:
Caio: Jô, vou te contar um coisa, essa pipoca aqui que você me deu tá com gosto de frango! Mas é boa! Melhor que pipoca com gosto de pipoca.

Depois resolvi ir na casa da minha mãe. Chegando lá, minha irmã perguntou quem era e ele (com algodão doce na mão):
Caio: é o homem do algodão doce, abre ai. Vou enganar ela, Jô.
Quando ele viu minha mãe, ele disse:
Caio: ué, a Tia Rose é sua mãe também, Jô?

Isso foi só a tarde de sábado. Fiquei com ele até domingo a noite. Ou seja, estou o pó da rabiola hoje, segundona.  

16 de novembro de 2011

Somos o que vivemos


Tenho reparado nos acasos. É fascinante. Ontem mesmo, encontrei uma pessoa que não via há muito tempo. Enquanto tomava um café, olhamos uma pra outra, nos abraçamos e as historias de anos atrás nos tirou um pouco do presente, meio dolorido. Foram minutos maravilhosos. No final, voltamos pra nossa realidade, não que o passado não seja real e nossa realidade seja triste. É só um momento, vai passar. O agora sempre passa, o que importa é o que fica disso tudo. Que bom que não há nada melhor que lembrar com saudade do que já vivemos, afinal. O fato é que depois de trocar emails e telefones, nos abraçamos com choro engasgado e foi aí que percebi que algumas pessoas realmente passam, outras é como se nunca tivessem saído da nossa vida. E foi assim que nos despedimos, engasgadas. As duas, entrando no hospital, com meu pai internado com pneumonia, e ela, criando forças pra dizer adeus pra mãe, já no estagio final da vida. Dores diferentes. Vidas que se cruzam, lembranças que confortam e amizades que duram uma vida inteira. Foi como se precisávamos estar ali. E como foi bom estar!

Cem dias
























Aprendi mais nesses últimos cem dias do que nos últimos trinta e tantos anos. Conseguir me bastar era tudo que eu precisava, entre outras coisas. Alem disso, foi bom descobrir que ninguém me conhece, não de verdade. Alias, seria difícil, já que ando percebendo que nem eu não me conhecia tão bem e vocês não têm noção como venho me surpreendendo comigo mesma. Os que pensam que me conhecem, não conhecem nem um terço. Até sabem de alguns segredos e isso me deixa feliz, por que a maioria dessas pessoas ainda está na minha vida e continuam gostando de mim. Isso é incrível, não é?  

11 de novembro de 2011

Ai, desculpa!


Estou aqui na casa de madrecita, no puff confortável, ouvindo Zeppelin no not com fone, observo madre, aqui ao lado, com pijaminha rosa e bolinha branca, rindo pra TV. Tirei o fone e comecei a prestar atenção. E la estava Ellen Jabour respondendo questões no programa Amor e Sexo.
Ah nem! Olha a pergunta “vocês estão assistindo um filme de ação e o saco de pipoca esta no colo do moço.. ham e ai?... e você sem querer, quando vai pegar pipoca, pega no saco errado! O que você faz?” e vem  a resposta de Ellen: “ai, desculpa” com carinha de “e ai, vamo?”. Como assim, ai desculpa?
Eu ja viro e falo: brincadeira ne? seu egoista descavalheirado... me da essa pipoca agora! Vô te conta, viu?!
Pra cabá, Fernanda Lima de morcega, com a matéria “você sabia que morcego consegue penetrar e colocar a boca ao mesmo tempo?”... nem vou comentar... ham, e ai?
Pra cabá de vez, Ellen Jabor tinha que fazer com uns bonecos a posição “coelho na cartola”. Pra que esses nominhos, gente? Mas enfim, ham, e ai?
Gente, novidades? Oi? Ham?
Ai desculpa, como diz Ellen Jabour, ta foda!
Dei remedinho pra madrecita, beijinho na testa, mandei ela pra cama e to indo dormir... orgulhosa de mim... não me perguntem por que! O fato é: com criatividade, podemos tudo... até fazer lovezim como os morcegos... e não precisa estar de cabeça pra baixo não! Mas pode tambem... hahaha... to me sentindo o Batman...
Ai desculpa, mas to bem orgulhosa mesmo!
Ah não, hoje tem marrom no Jô... vou ter que ficar um cadim mais acordada...
Fui!


 

3 de novembro de 2011

Muita gente louca perto de mim...

Eu: alô!
Ainda não sabia: oi Jô.
Eu: quem é?
Ainda não sabia: Freud!
Eu: eu sabia que a senhora uma hora ou outra ia criar juízo e resolver diminuir o valor da sessão! É isso?
Dra. Helles: hahaha... vou tomar uma cerveja embaixo do pé de mangueira daquele bar que você falou, na sua cidade, como eu faço pra chegar?!
Eu: pelo preço que senhora cobra, deveria ter um GPS no carro...
(blablabla... explicando)
Eu: e ó, diz que você me conhece e deixa uma cerveja em haver!
Dra. Helles: como assim? Nada disso, quero um guia local e só pode ser você pra me acompanhar!
Eu: você quer um aborígene, é isso? Mas, sinto muito, eu não crio vínculos com minhas terapeutas!
(risos)
Dra. Helles: eu sou psiquiatra, fique tranqüila!
Eu: isso não muda nada! Alias, a senhora deve estar infringindo algum código, artigo, sei lá o que, onde não se deve ter contato, a não ser profissional com o paciente...
(risos)
Dra. Helles: mas você se deu alta, lembra?
Eu: a senhora é mais louca que eu!

Sabe, decididamente eu não faço bem para as pessoas! Alguém um dia me disse isso. Lembrei desse filme abaixo:

Nossos olhos

Você olharia nos olhos dela?
E o que faria se me visse lá dentro?

Tinha que ser você...

Alguém que pudesse sentir!
Alguém que pudesse notar!

Nossos olhos!
Alguém que pudesse olhar em nossos olhos...
E nos dar as mãos...

Só poderia ser você!