27 de fevereiro de 2013

Eu vou estar onde você está, pai...

Eu vou estar onde você está.
E toda vez que chegar de viagem, eu estarei te esperando.
Por onde eu for, a melhor parte, sempre será a volta.
E aconteça o que acontecer,
meu quarto é na sua casa,
a vista da praça é e será única.
Não importa onde eu esteja,
eu sempre vou voltar
pra nossa casa, pai.

Ontem, depois de 36 dias viajando, ele voltou mais uma vez.
E eu... eu estava lá.
Ouvindo e rindo das mesmas piadas!

21 de fevereiro de 2013

Take your time

Virou uma mulher!
Bonita, delicada, forte
Não é mais a menininha que pulava bombinha na piscina
Jogava água em todo mundo
E falava sem parar
Nem é mais aquela moçinha convencida,
cheia de dúvidas e inquieta
Esta diferente, decidida, cheia de atitude
Faz faculdade, tem novos amigos, novos amores
Histórias de viagens, Paris, Roma,
Bebe e fala sobre cinema, poesia e música
Futura médica, doutora da alegria, fotos, linda.

Quando é férias, vem ver os pais e liga querendo me ver
Fico rindo depois que desligo o telefone
Ainda fala sem parar, mas me divirto
Imagino a sorte de alguém que possa tê-la
E ter sempre por perto essa alegria que faz o coração da gente dançar

Quero que seja feliz, minha pequena
Tão bom saber que é livre
Tão bom saber que não te privei de nada
Quando me deixei privar, aprendi... 
só se vive a juventude uma vez, pequena.
Por isso, adeus, sempre adeus e olá quando puder;
Nada mais.

E você acha graça e me chama de velha careta...

Um beijo minha pequena, minha amiga
e sempre será assim.

19 de fevereiro de 2013

Conversando com Clarice

Clarice: toda vida é uma missão secreta.

Jô: fala aí 007!

Clarice: na verdade, o que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções.

Jô: e quando sua vida inteira é uma exceção? E você já não entende nada do que está acontecendo?

Clarice: não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Jô: essas suas teorias não me convencem mais. Tenho pressa.

Clarice: a direção é mais importante do que a velocidade.

Jô: cansei desse papinho, Clarice, abre logo esse vinho. Mexe com a rima!

Clarice: as pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

Jô: chaaaaaaata! Ah nem! Clarice esquisita é foda!

Clarice: e se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.

Jô: aff... abre o caraio desse vinho logo!

13 de fevereiro de 2013

Sr. Tempo

Dizem que o tempo é o mestre
O fodidão, o gostoso da bala chita
Somos seus discípulos, sem papéis nem canetas
Por que, afinal, não precisamos anotar nada
Mesmo por que ele também não diz nada, ordinário
E a gente aprende mesmo assim.

Pois é!

Dizem que o tempo é capaz de mostrar o melhor caminho
Que quem planta bondade colhe os melhores frutos
Ah tá, sei.
Dizem que o tempo cura até as grandes paixões
Cura ou faz passar, vai saber...
E eu pergunto então, quem diabos cura o amor?

Será que o tempo não está muito ocupado curando paixões?
São tantas. Ainda mais nessa época de carnaval.

Puta merda, Sr. Tempo, se o senhor estiver me ouvindo, responda:
Diz pra onde vai o amor quando se acaba a estrada?
E eu escuto o tempo dizer:
“se acabou a estrada é por que não havia amor, minha filha”.

Então fique sabendo, Sr. Tempo...
que já se foram oito anos e minha estrada ainda tem girassóis
e eu só colho cactos.

Por isso, passar bem!
Vai te catá Sr. Tempo!

4 de fevereiro de 2013

Sonhadores

Eram tempos difíceis para os sonhadores,
como foi falado pela moça da loja,
naquele filme antigo que a menina adorava.

O que ninguém entendia era que a menina
estava pouco se importando com os espinhos,
ou até mesmo a falta de água.

O que ninguém entendia era que a menina
acreditava no seu sentimento
e que não iria a lugar algum sem ele.

Acreditava que um mundo sem amor seria inútil
que uma vida, com desejos reprimidos seria fardo,
e que desistir de um amor seria para os fracos.

E assim, ela decidiu que seria forte, 
o suficiente.

Josane H.

1 de fevereiro de 2013

Contos de Carnaval


O “chuá” do Patinho feio

Carlos Fernando abre a porta do apartamento. Um cara cabeludo, com os olhos vermelhos, fantasiado, com um vestido branco, asas e um arco e flecha de R$ 1,99.
- Oi, pois não?
- E aí mano, beleza? Sou o Cupido, tá ligado?
- Carnaval vai ser semana que vem, amigo!
- Pois é meu! Mas tô querendo adiantar meu trampo, sabe como é, né? Eu trabalho com banco de horas. Comprei um abada! Bahia, mulherada. Tá ligado?

Carlos Fernando olha sem entender bem o que tá acontecendo. Passa a mão no queixo. Enquanto isso, o cupido vai entrando.

- E você tá fazendo o que aqui?
- Pois é. No sábado de carnaval você vai conhecer uma moça, tá ligado? O nome dela, pera, deixa eu ver – ele abre a bolsinha que fica do lado e tira uma lista – NATÁLIA, o nome dela é Natália. Tem um aí pra gente?
- Um? O que seria?
- Pronto, achei – abrindo um potinho, pegando o back na mão. Tem isqueiro?
- Então, vamos lá. Você é o cupido que vai me dar uma flechada antecipada para me despertar uma paixão por uma tal de Natália que vou conhecer no sábado de carnaval – e entrega o isqueiro para o cupido.
- Ah mano, paixão não, né? Tá ligado, meu negócio é amor verdadeiro – enquanto fuma o back. O Cupido da paixão trabalha só de terças e sextas, mas é por aí a idéia.
- Na boa, se você é o cupido. Você acha mesmo que quero descobrir meu amor verdadeiro numa noite de carnaval?
- Mano, a gente não pode, sabe como é, controlar isso, tá ligado? O amor cola na hora que a gente menos espera – e bate com a mão no peito do Carlos Fernando e entrega o back pra ele.
- Se você é o cupido, eu posso determinar que não quero, certo?
- Meu, daí dá uma complicada aí no meu esquema, tá ligado? Eu viajo agora no inicio da semana que vem. Bicho, colabora!
- Cara, da ultima vez que eu amei, eu só me ferrei! Nem vem.
- Então mano, cada um com seus problemas, tá ligado? Eu não posso sair daqui hoje sem flechar você. A Natália já flechei hoje de manhã. A mina é gata, hein? 
- Não. Tô de boa. Quero só curtir. Nada de amor. Vamos fazer assim, o cara que divide apê comigo deve tá chegando aí. É só flechar ele.
O Cupido pensou, pensou. Não muito, por que o back era dos bons.
- Fechado.

Depois de uns vinte minutos, chega Marco Aurélio. O amigo, gordinho, desajeitado, que divide apartamento com Carlos. Ele entra na sala e dá de cara com o Cupido e Carlos Fernando rachando o bico de um desenho animado na TV.

- Oi gente – com cara de assustado, não entendendo nada – tudo bem aqui?
- Hahahahahaha... Marco, esse é o...

Cupido nem espera Carlos Fernando terminar de falar e dá uma flechada no amigo dele. Um brilho invade a sala. Marco olha os dois olhando pra ele.

- Mano, adoro essa luz, tá ligado?

Cupido vai embora. Carlos Fernando rindo sem parar. Marco, o patinho feio, sem entender nada.

E no sábado de Carnaval...

Carlos Fernando, o bonitão. Marco Aurelio, o patinho feio. Eis que chega uma mulher linda no salão. Pensa numa mulher, mas a mais bonita, duplique. depois de um tempo, ela se aproxima dos dois.

- Oi, sou Natália.

Enquanto isso, na Bahia, o cupido pula sem parar. Seu celular toca.
- Alô.
- Cupido, é o Carlos Fernando!
- Fala cara, tá beleza mano?
- Beleza o caralho, Cupido, sacanagem meu...

Enquanto isso, lá no fundo, Marco Aurelio, o patinho feio, bem feliz com a Natália nos braços dançando “menina você é um docinho de coco, tá me deixando louco, tá me deixando louco”...

Texto Josane H. 
Fev 2013