27 de fevereiro de 2014

A mentira é eterna

E aquela frase
que a mãe da gente falava
sobre a verdade e a mentira
e você ignorava
agora aprende sozinha

a verdade as vezes machuca
incomoda
mas a mágoa um dia passa

a mentira não
a mentira é pra sempre
ela dura
é resistente
não tem cura
a mentira ultrapassa
e aniquila qualquer amor
mesmo os mais verdadeiros

mas ninguém é idiota eternamente

só a mentira é
verdadeiramente eterna

Josane H.

26 de fevereiro de 2014

Vamos juntar?

Eu quero juntar gente nesse carnaval
quero areia no pé
bunda salgada no mar
caipirinha de maracujá na cabeça
e a boca cheia de conversa boa

Quero gente nova
gente que já conheço, gente engraçada
quero me encher é de histórias
divertidas pra contar na volta

Quero juntar amigos com família
os das "antiga" com os novos
e fazer o que eu mais gosto
Juntar pessoas!

Nesse carnaval eu quero gente
que, como eu, não quer nada
além de boas risadas
e uma cerveja gelada na praia 

ou em qualquer lugar desse mundo.

Josane H.

Liberdade

Foi preciso estar trancada
para entender o que significa liberdade
e sendo livre
descobri onde quero estar

me desarmei
como um guerreiro no final de uma grande batalha
sem honras
sem beijo de esposa
sem abraço de filhos
como um guerreiro só
sem sortilégios passageiros

olhando minha armadura
já velha
desbotada
cheia de marcas
curvo-me ao lado dela e a toco
em prece me despeço com as mãos
uma sobre ela, uma sobre meu coração

nenhuma liberdade nasce onde não há paz
nenhum amor sobrevive onde não há verdade

o que eu busco não está aqui - definitivamente
nunca esteve aqui
e esse grão de liberdade
plantado no meu peito
custou a nascer

mas agora cresce
cresce feito menino novo
indomável por natureza

Josane H.

Pra quem não conhece, esse é David Garret.
Ouvi ontem a noite pela primeira vez.
Fiquei encantada. 
Muito bom. Perfeito.

25 de fevereiro de 2014

Dentro de mim

Meus anjos estão quietos
calados
estranhamente calados
dentro de mim
como crianças de castigo
no canto da sala
olhando a chuva pela janela
e secos – mordem a boca
mordem até sangrar
estão doidos
doentes
desvairadamente perdidos
dentro de mim
dentro do meu caos
dos meus labirintos
dos meus segredos
das minhas lembranças
dentro das minhas loucuras
em algum canto
dentro de mim
meus demônios os encontraram hoje
e - como eu - eles já não se importam.

Josane H.
25/02/2014

Bom pra ouvir!

Hoje cedo estava ouvindo Andrea Bocelli cantando "La vie en rose" (amo Piaf) e então ouvi uma voz de mulher. E quem era essa mulher? Não fazia a minima ideia. Pois bem, procurei um pouquinho e descobri "Sila". Uma cantora turca. Entrei no youtube e... adorei. 
Muito bom! 

24 de fevereiro de 2014

Bukowski com música

Esses dias alguém me perguntou qual era o meu poema favorito.
Na hora falei “Soneto do Corifeu” do Vinicius e Moraes. Quando ela perguntou o segundo melhor, eu não sabia qual dizer. Lembrei do poema da Bishop “A arte de perder” que estou começando a entender agora aos 34 anos, lembrei também do “Poeminha do Contra” do Quintana. Mas aí eu lembrei do "Blue bird” do Bukowski. Pronto. É esse, o segundo: Pássaro Azul.

 “Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?”
(Charles Bukowski)

Um pouquinho de Manoel Bandeira

O último poema
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
(Manoel Bandeira)

Adélia com música

"Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo."
(Adélia Prado - livro Bagagem)

18 de fevereiro de 2014