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- Mas
seu Tonho
o senhô
me desce mais uma
e me
conte sobre esse choro
que vem quando chove?
que vem quando chove?
Pois
eu lhe digo, Dona Maria
o caso que se assucedeu foi o seguinte
fizeram
daquele amô
um papel
amassado no lixo
cheio
de letras com chororô engasgado
rasgado
nos versos escritos
fizeram
daquele amô
um
algodão doce feito de sal
beleza
que outrora nuvem
hoje,
um gosto de mar
azedo
de mal
fizeram
daquele amô
um
rodamoinho de terra azulada
onde
dançam os restos dos girassóis
que
ainda enxergam sol
onde
há um diacho de escuridão
girassóis
que se negam a ser desplantados
que aprenderam a viver sem luz
a
Deus dará
como
cegos solitários
num
barco flutuando no meio do rio
mas
veja, minha senhora
era
só amô
pobre
coitado
o
amô mar bonito
que
as bandas de cá já ouviu falá
desses
que nenhum mal faz, sabe?
daqueles
que enchem os zóio d´água
emociona
a alma da gente
era
só amor, Dona Maria
era
só amor...
- e a modi de quê acabô, Seu Tonho?
é como lhe falei
em coração de gente que não sabe o que isso
em coração de gente que não sabe o que isso
o amô é só uma palavra
escrita
e amassada no papel no lixo
e vamô deixá esse conversê proto dia
que me dá um aperto só de alembrá
e vamô deixá esse conversê proto dia
que me dá um aperto só de alembrá
aquele amô que existia
de uma boniteza
nasceu
e morreu sem ter morrido
mataram de morte
matada
por isso quando chove
aqui por essas bandas
a gente escuta um chororô
vindo lá do alto da cidade
o amô se perdeu sem ter pra onde ir.
o amô se perdeu sem ter pra onde ir.
Josane
H.