18 de janeiro de 2013

Sessenta vidas

Sonata No. 8 D major, KV 311 (1777) mov 3 rondo allegro by Armonia, Benessere & Musica on Grooveshark

(só vale ler ouvindo a música que é uma delicia - é só clicar no play do ícone acima)

Domingo é aniversário da minha Vó Tereza. Sou tão grata por ter ela aqui perto da gente que meu coraçãozinho fica até doce. Quando penso que ela tá aqui do lado, na cidadezinha que ela gosta, na casa dela, vivendo a vida de um jeito tão bonitinho, com saúde, agradeço a Deus.  
Minha Vó é uma espécie de casa. Daquelas casas, que não importa se é grande ou pequena, o que importa é o que te faz querer estar ali. O café feito com amor, o bolo de coco mais gostoso e os olhos da minha Vó. Esses são os maiores presentes que eu posso e vou querer, sempre. Eu acredito que Deus está nos olhos da minha Vó.
E a casa da minha Vó? Ah, ela tem carinha de casa de Vó mesmo, com fotos de quando a gente era pequeno espalhadas por todo lado. E olha que são dezenove netos. Toalhas de crochê na sala. Almofadas no sofá e tem aquele cheiro, que mesmo que se te vendarem os olhos, saberá exatamente onde esta. E o principal, a casa da minha Vó é igual coração de mãe. Sempre cabe mais um. Ela não é grande, mas acomoda sessenta pessoas no natal, na páscoa, no dia das mães e em vários domingos.
Sessenta pessoas que estão ali por que um dia ela resolveu casar com meu Vô. E desse casamento nasceram os filhos, e desses filhos nasceram novos casamentos, e desses casamentos nasceram netos, e desses netos nasceram bisnetos. E a vida continua. Sessenta vidas que estão ali por que, simplesmente, minha Vó existe.
Essa sim deve ser a maior conquista de uma vida inteira.
Se somos responsáveis por tudo aquilo que cativamos, minha Vó com certeza é iluminada.

Eu? Eu sou só um grãozinho de areia que quer ser peão de boiadeiro e odeia ostras!

Inté mais. Beijo da Jô.