1 de julho de 2013

Lagarta

Sim. Talvez eu tenha me tornado uma cretina. Olhei o significado da palavra. É isso.
Em tempos de saramandaia, estou cretinissimamente cretina.
Talvez no fundo esteja escrevendo isso para Miss Riuls.
Adiantando a conversa, como se adiantasse.

E ela vai dizer "cretina" é uma palavra forte. A palavra tem poder, Jô.
É... ela diria isso.
Pra mim, parece nome de gente, pra se franca.
Oi, a Cretina taí?

Vou enchendo a casa para não ouvir o silêncio.
Pobre Miss Dalloway!
Todos nós, no fundo, fazemos isso sem perceber.

Tenho me esforçado para não crescer,
mas a vida vai nos empurrando,
e quando nos damos conta, engolimos o presente
e vomitamos um futuro conveniente, morno, sem graça.

Não se enganem, meus amigos:
a vida é uma fanfarrona, uma sem vergonha,
louca de pedra!

Nessa luta, que travamos com ela,
essa que chamamos de vida,
poucos saem vitoriosos.

Em todos os hospitais tem pacientes terminais nesse momento
se arrependendo de ter perdido tempo
fazendo o que os outros esperavam.

Eu não quero ser um deles.

Vou dormir agora, com uma lagarta no meu coração.
Uma lagarta bem grande que não para de se mexer.

Lagarta leva um ano para virar borboleta