No
inferno astral de uma alma pecadora, me vejo agora.
Me
olhando bem de perto, devagar.
Vou
deixando no meio do caminho minhas asas,
e me
armando com todas as facas mais afiadas.
Pisando
em cacos de vidro espalhados no caminho.
Vou
me revirando por dentro.
Mas sigo.
Às
vezes corro, às vezes volto, mas nunca paro.
Não fujo
de nada que me fere, não tenho mais medo.
Eu
sinto, eu ajo, eu escolho, eu perco, eu ganho.
Só
interessa a mim.
Vou
me desfazendo desse uniforme desbotado
que agora
começa a me parecer tão medíocre.
Vou
rasgando pedaço por pedaço, as minhas migalhas,
o que
sobrou, o que não me serve mais.
Escolhi
sentir tudo de uma vez,
para
desespero de quem me conhece.
Não
sei o que vai estar atrás daquela porta.
Não
faço a mínima ideia.
Mas
isso tudo me fascina e me empurra.
Me
joga.
E eu
juro por Deus, eu quero chegar nesse lugar.
Mesmo
sem saber de absolutamente nada.
Sigo
com meus olhos vendados e a alma aberta.
Se
vou cair, se vai doer.
Isso
é meu problema, de mais ninguém.
De
nove em nove anos.
Alguma
coisa sempre muda
e eu
estou
.
.
quase
pronta.
Josane H.