Ontem de manhã minha irmã ligou e, com a voz de choro, me disse:
- vem aqui,
por que a Loly tá morrendo!
Durante o
caminho até a casa da minha mãe – os mais longos do mundo, lembrei do dia em
que ganhei a Loly. Lembrei da alegria que ela trazia para aquela casa, para
minha mãe, meus irmãos e pra mim. Ela pequenininha correndo. Uma bolinha
marronzinha irritante e divertida. Lembrei de quando minha mãe ficava doente e
ela não saía de perto dela. Do Pablo e ela, brincando e crescendo juntos. Hoje
ela tem 17 anos e o Pablo tem 22. Ele ainda aperta ela, balança e ela o ama
como só mesmo um cachorro é capaz de amar, com a verdadeira pureza e
cumplicidade. Dois quilinhos irradiantes de felicidade. Com o tempo ela foi
ouvindo menos, latinho menos, mas a reboladinha dela e aquela alegria nos
olhinhos quando ela vê a gente nunca foram menos.
E lembrando
de tudo isso, quando percebi, estava em prantos no carro. Liguei na
hora para uma amiga veterinária e disse “quero o melhor lugar da cidade pra
levar minha cachorrinha velhinha, que esta passando mal”.
E lá fui eu.
Busquei a Loly. Ela respirava rápido, o coração estava acelerado, o corpo
tremia. Quando a tirei de perto da minha mãe, as duas se olharam por alguns segundos.
E os olhos da minha mãe choraram e naquele momento eu senti que minha mãe
estava se despedindo dela. E eu disse – como se tivesse tudo certo: “mãe, a
Loly é nossa zumbizinha highlander... daqui a pouco trago ela de volta, peraí”.
Enquanto eu e
minha irmã Paula olhávamos para os dois veterinários colocando um monte de
aparelhos no corpinho dela, meu coração parecia que ia sair de mim. E a Loly me
olhava, me olhava tão profundamente, que eu me esfriei por dentro. Oxigênio,
soro na veia, injeção, pressão, temperatura... e a Loly? Ela continuava olhando
pra mim. Cheguei a pensar “para tudo, deixa ela ir... não quero que ela
sofra...”, mas eu percebi que ela foi se acalmando, respirando mais devagar. E eu
me calei e esperei, com as mãos o tempo todo nela.
Os olhinhos dela
então foram se fechando, ela foi ficando molinha e eu? Desesperei de novo.
O veterinário
me olhou – e eu ali, dura, tensa – e me disse “calma, o quadro dela é muito
grave, sopro no coração e possível edema pulmonar, com uma idade avançada, mas
vamos fazer o possível, ela tem chance”.
Não arredei
o pé daquela UTI, não atendi celular, não pisquei, não tirei meus olhos dela,
nem minhas mãos de perto dela. Eu sabia que ela ia acordar de novo e eu queria
estar ali, pra ela ter a certeza de que eu estava ao lado dela. E ali permaneci
durante longas horas.
A
veterinária ficou o tempo todo medindo a temperatura para que pudesse iniciar o
tratamento a base de diurético para diminuir o edema. Quando fiquei sozinha com
a Loly, coloquei minhas mãos sobre as duas mantas que a aqueciam e rezei. Rezei
com tanta força e fé, que quando a veterinária voltou e mediu novamente, a
temperatura já tinha aumentado o suficiente (é claro que o colchão que esquenta
eletronicamente colaborou... rs).
Ao ver os
olhinhos dela se abrindo novamente, chorei, mas de emoção. Era a Loly de
novo, firme e “quase” forte.
Liguei pra
minha mãe e falei “tô te falando mãe, é highlander!”.
O veterinário
quis interná-la, acertamos o orçamento (e olha, foi bem mais que gastei em 7
horas de compras no outlet) e no final da tarde voltei pra agência.
A noite,
passei na clínica para visitar minha pequenininha. Sala de espera, com dedos
cruzados. Até que o veterinário me chamou e fui vê-la. Tudo tão bonitinho,
cobertinha rosinha, com plaquinha de identificação, comidinha, água. Mas ela
nada de se mexer. Só no soro e no oxigênio. Mas, ela estava bem, segundo o
veterinário.
Hoje de
manhã fui à consulta agendada com o cardiologista da Loly. Momento a lá Sírio Libanês!
A hora que vi ela, foi uma festa. Parecia que nada tinha acontecido com a mini highlander!
Fizemos eletro, ecocardiograma.
Final da
história: Loly é cardiopata grave. Precisa tomar 4 medicamentos, duas vezes ao dia, pro resto da vida dela.
Bom pra
resumir. Faz 3 meses que estou com a receita do meu dermatologista pra comprar “uns
creme” e, pergunta se comprei? Não, lógico que não. Mãããs, pra Loly, sim.
Olha, me
ausentei da agência quase um dia inteiro, gastei uma grana alta, mas, eu
posso falar de todo meu coração... a hora que eu cheguei com a Loly na casa da
minha mãe (e viva, vivinhaaa...), o olhinho brilhando da madrecita e a felicidade da Loly
fizeram valer todo trabalho!
A vida é
incrível e perfeita, da sua maneira.
Estamos no
lugar certo, na hora certa e hoje nunca foi ontem, nem vai ser amanhã.
Hoje é hoje.
E é pra todos!
Estou muito
feliz e agradecida pela chance de poder ter ela do nosso lado!
Do jeito que está, velhinha, rústica, brava, cambaleando...
Mas imensamente carinhosa e dedicada.
:)
Do jeito que está, velhinha, rústica, brava, cambaleando...
Mas imensamente carinhosa e dedicada.
:)
Feliz demais!
