16 de agosto de 2013

Loly, dois quilos de pura felicidade









































Ontem de manhã minha irmã ligou e, com a voz de choro, me disse:
- vem aqui, por que a Loly tá morrendo!

Durante o caminho até a casa da minha mãe – os mais longos do mundo, lembrei do dia em que ganhei a Loly. Lembrei da alegria que ela trazia para aquela casa, para minha mãe, meus irmãos e pra mim. Ela pequenininha correndo. Uma bolinha marronzinha irritante e divertida. Lembrei de quando minha mãe ficava doente e ela não saía de perto dela. Do Pablo e ela, brincando e crescendo juntos. Hoje ela tem 17 anos e o Pablo tem 22. Ele ainda aperta ela, balança e ela o ama como só mesmo um cachorro é capaz de amar, com a verdadeira pureza e cumplicidade. Dois quilinhos irradiantes de felicidade. Com o tempo ela foi ouvindo menos, latinho menos, mas a reboladinha dela e aquela alegria nos olhinhos quando ela vê a gente nunca foram menos.

E lembrando de tudo isso, quando percebi, estava em prantos no carro. Liguei na hora para uma amiga veterinária e disse “quero o melhor lugar da cidade pra levar minha cachorrinha velhinha, que esta passando mal”.

E lá fui eu. Busquei a Loly. Ela respirava rápido, o coração estava acelerado, o corpo tremia. Quando a tirei de perto da minha mãe, as duas se olharam por alguns segundos. E os olhos da minha mãe choraram e naquele momento eu senti que minha mãe estava se despedindo dela. E eu disse – como se tivesse tudo certo: “mãe, a Loly é nossa zumbizinha highlander... daqui a pouco trago ela de volta, peraí”.

Enquanto eu e minha irmã Paula olhávamos para os dois veterinários colocando um monte de aparelhos no corpinho dela, meu coração parecia que ia sair de mim. E a Loly me olhava, me olhava tão profundamente, que eu me esfriei por dentro. Oxigênio, soro na veia, injeção, pressão, temperatura... e a Loly? Ela continuava olhando pra mim. Cheguei a pensar “para tudo, deixa ela ir... não quero que ela sofra...”, mas eu percebi que ela foi se acalmando, respirando mais devagar. E eu me calei e esperei, com as mãos o tempo todo nela.
Os olhinhos dela então foram se fechando, ela foi ficando molinha e eu? Desesperei de novo.
O veterinário me olhou – e eu ali, dura, tensa – e me disse “calma, o quadro dela é muito grave, sopro no coração e possível edema pulmonar, com uma idade avançada, mas vamos fazer o possível, ela tem chance”.

Não arredei o pé daquela UTI, não atendi celular, não pisquei, não tirei meus olhos dela, nem minhas mãos de perto dela. Eu sabia que ela ia acordar de novo e eu queria estar ali, pra ela ter a certeza de que eu estava ao lado dela. E ali permaneci durante longas horas.
A veterinária ficou o tempo todo medindo a temperatura para que pudesse iniciar o tratamento a base de diurético para diminuir o edema. Quando fiquei sozinha com a Loly, coloquei minhas mãos sobre as duas mantas que a aqueciam e rezei. Rezei com tanta força e fé, que quando a veterinária voltou e mediu novamente, a temperatura já tinha aumentado o suficiente (é claro que o colchão que esquenta eletronicamente colaborou... rs).
Ao ver os olhinhos dela se abrindo novamente, chorei, mas de emoção. Era a Loly de novo,  firme e “quase” forte.

Liguei pra minha mãe e falei “tô te falando mãe, é highlander!”.

O veterinário quis interná-la, acertamos o orçamento (e olha, foi bem mais que gastei em 7 horas de compras no outlet) e no final da tarde voltei pra agência.

A noite, passei na clínica para visitar minha pequenininha. Sala de espera, com dedos cruzados. Até que o veterinário me chamou e fui vê-la. Tudo tão bonitinho, cobertinha rosinha, com plaquinha de identificação, comidinha, água. Mas ela nada de se mexer. Só no soro e no oxigênio. Mas, ela estava bem, segundo o veterinário.

Hoje de manhã fui à consulta agendada com o cardiologista da Loly. Momento a lá Sírio Libanês! A hora que vi ela, foi uma festa. Parecia que nada tinha acontecido com a mini highlander! Fizemos eletro, ecocardiograma.

Final da história: Loly é cardiopata grave. Precisa tomar 4 medicamentos, duas vezes ao dia, pro resto da vida dela.

Bom pra resumir. Faz 3 meses que estou com a receita do meu dermatologista pra comprar “uns creme” e, pergunta se comprei? Não, lógico que não. Mãããs, pra Loly, sim.  

Olha, me ausentei da agência quase um dia inteiro, gastei uma grana alta, mas, eu posso falar de todo meu coração... a hora que eu cheguei com a Loly na casa da minha mãe (e viva, vivinhaaa...), o olhinho brilhando da madrecita e a felicidade da Loly fizeram valer todo trabalho!

A vida é incrível e perfeita, da sua maneira.
Estamos no lugar certo, na hora certa e hoje nunca foi ontem, nem vai ser amanhã.
Hoje é hoje. E é pra todos!

Estou muito feliz e agradecida pela chance de poder ter ela do nosso lado!
Do jeito que está, velhinha, rústica, brava, cambaleando...
Mas imensamente carinhosa e dedicada.

:)

Feliz demais!