9 de setembro de 2013

O meu sorriso na lua

Eu: alô
Dra. Helles: quanto tempo o homem demora pra chegar até a lua?
Eu: depende do veículo que ele estiver usando.
Dra. Helles: você leva quanto tempo?
Eu: o tempo necessário para eu fechar os olhos.
Dra. Helles: você ainda não acredita que o homem pisou na lua, Jô?
Eu: eu aprendi a não duvidar de nada, Helles.
Dra. Helles: aprendeu isso comigo ou com a vida?
Eu: essa eu pulo.
Dra. Helles: você está na sua casinha?
Eu: sim.
Dra. Helles: lembra quando eu te falei sobre Vênus?
Eu: a lua ficou incrivelmente bela ao lado dele, Doutora. Mas essa hora, eles nem estão mais no céu, eu acho.
Dra. Helles: estão sim, vem ver aqui fora comigo.

Eu não duvidaria dela.
Então levantei da cama, saí pela varanda, olhei, mas não vi ninguém.
Ouvi um assovio. E lá estava ela, na praça.
Me ofereceu seu velho cigarro e um gole de vinho.
Pegou um espelho na bolsa, e pediu pra eu olhar pra lua com Vênus.
E disse: “agora olha para o espelho e sorria... o que você vê, Jô?”
Deu um trago, me olhou e me abraçou dizendo

“há razões que não precisamos ter, Jô”.