24 de setembro de 2013

Regra três

Ela gostava de olhar pela janela do carro
reparava no formato das árvores na estrada
as vezes cantarolava uma música
alguma antiga do Leoni
- mas eu gostava quando cantava regra três
e a gente se perguntava qual era essa regra mesmo
Ria quando recordava das suas histórias trágicas
e entre uma e outra tragada
a gente se divertia dentro do carro,
inventando música,
inventando um jeito de parecer que tudo estava bem
e vivendo
sabendo exatamente como seria nosso final
e mesmo assim
inventando um jeito de parecer que não sabíamos
e assim seria o que foi, e foi...
e foi bom – do jeito que pôde ser.
Do jeito que nos foi permitido viver.
Do melhor jeito que poderíamos ter sido
uma pra outra.

E foi assim.
E foi bom assim.

As vezes demoramos para aceitar a resposta que 

já temos dentro de nós. 
E na verdade, isso não importa.
Por que até a pergunta é desnecessária.
Viver é sempre mais importante.
Seja o amor, a dor, a alegria, a tristeza,
uma paixão, uma amizade, 
oito anos, um mês, uma noite, uma hora.
Viver o sentimento é sempre mais importante
que qualquer pergunta e qualquer resposta.

Ser livre é viver sem medo.

Ser livre é viver tudo o que podemos viver,
na intensidade que devemos viver
e pelo tempo suficiente 
que cada momento merece ser vivido.

A vida é exatamente agora.


Josane H. 

24 de setembro
É primavera dentro do meu coração.