A gente era tipo cão e gato. Os melhores amigos do mundo num minuto e no outro um correndo atrás do outro pela casa. Coisa de irmão. Você era um bebezão pesado quando pequeno. Eu, a irmã mais velha chata e ciumenta, mas muito protetora. E de repente ficamos do mesmo tamanho. Brincávamos juntos, brigávamos juntos, dormíamos juntos, aprendíamos juntos. Todo mundo perguntava se éramos gêmeos, mesmo você sendo dois anos mais novo.
Éramos tão grudados, que até subíamos juntos na cadeira na hora do parabéns, no meu e no seu aniversário. Mas só você deixava eu soprar sua velinha e ainda ficava feliz com isso. Eu não esqueço do seu sorriso, sincero e leal.
Tomávamos até banho juntos e você misturava shampoo e condicionador na mão e falava “ao invés de perder tempo passando um de cada vez, você junta os dois e passa, já lava e alisa”. E você tinha só 6 anos. Criou o 2 em 1 muito antes do fabricante. Era sensível e inteligente. Uma sabedoria tão grande, que talvez soubesse que teria pouco tempo aqui, né? Mas se tivesse me avisado Neto, eu teria te abraçado mais, por mais tempo. Eu nunca te soltaria, meu irmão.
Fazíamos tudo tão juntos, que quando você se foi, parecia que faltava uma parte de mim em tudo que eu fazia durante o dia. Mas olhar pra cama ao lado antes de dormir e não te ver era a pior parte.
Minha memória é péssima, mas quando o assunto é você, sinto até o seu cheiro. Ouço sua voz e sou capaz até de ouvir o som que fazia no corredor quando você brincava com a Menina. É como se eu tivesse te visto ontem. Seu corpinho forte, dente torto e cabelo cortado errado.
Lembro de você vestido de sol na apresentação da escola, porque era o maior de todos da sala. Um sol sorridente, meio tímido e o mais lindo de todos que eu já vi.
Hoje faz 29 anos que você se foi. Tive o privilégio de tê-lo na minha vida durante seis anos e alguns meses. Foram anos bem felizes, meu irmão. Obrigada! Onde quer que esteja agora, saiba que te amo muito.
Josane H.
27/09/2017
