24 de agosto de 2018

Sonho interminável




Às vezes me pego pensando: qual o meu sonho verdadeiro? Parece simples responder essa pergunta. Talvez até seja. Então me vem à cabeça uma manhã. Quase sinto o cheiro desse sonho. Maresia, café, livros antigos.   

Eu, morando numa casa próxima ao mar.

Uma varanda de madeira, na qual meus pés bem cedinho caminham até tocarem a areia. O som é uma valsinha brasileira. Adoro ouvir todos os dias.

Caminho descalça na beira do mar com meus cachorros.

O dia onde moro é bonito, mesmo quando amanhece nublado e o mar de ressaca me lembra de agradecer pelo vinho bom, tomado na noite anterior com meu amor, antes de chover. Antes da gente se molhar.

Ela ainda dorme no quarto enquanto o café é passado e eu repasso a leitura daquele velho poema interminável. E para quê pressa, afinal?


Josane H. 
Agosto 2018