10 de maio de 2019

Aquela prosa boa





E aí, como o senhor tá? Nunca me chamou de senhor, tá chamando agora por causo di quê? Paulo Cezara. Me chame de pai. Lembra, me falou no hospital que um dia iria doer não ter alguém no mundo pra chamar de pai. Eu sei, perdi o meu também. Pai, tô aqui, finalzinho de uma sexta, ouvindo esse Chamamé bom, lembrei de você. E bateu saudade? Pois é, sexta é o dia que mais dói, era dia de chegar em casa e te acompanhar num copinho de cerveja. Isso você fazia até de segunda. Menos quando eu estava de dieta. Conta outra, gorda. Domingo é dia das mães. Eu tô com a minha, te mandou um beijo. Manda outro. Manda um beijo pra Vó Tereza também, leva uma flor. A mãe vai fazer feijoada. E ela sabe? Carol e Paula vão ajudar. E quando foi que elas fizeram uma feijoada na vida? Diz que vai dar um jeito, sem orelha, sem pele. Mas aí não tem graça. Bom é galo na panela, né pai? E sem pressão. E o que tiver na despensa, dispensa. Uma letra faz uma diferença danada numa palavra, né, Jô? Eu que o diga, gostou da moda? Boa. Manda beijo também pro Vô e pro Neto. Oi e thau. Pra não perder o costume. Te amo, flor de ipê. Eu mais. A vida é um sopro, Jô. A música tá acabando, pai. E a saudade? Essa não acaba não. Vamos escutar mais um pouco...

Josane H.
10/05/2019
17h30