E aí, como o senhor tá? Nunca me chamou de senhor, tá
chamando agora por causo di quê? Paulo Cezara. Me chame de pai. Lembra, me
falou no hospital que um dia iria doer não ter alguém no mundo pra chamar de
pai. Eu sei, perdi o meu também. Pai, tô aqui, finalzinho de uma sexta, ouvindo
esse Chamamé bom, lembrei de você. E bateu saudade? Pois é, sexta é o dia que
mais dói, era dia de chegar em casa e te acompanhar num copinho de cerveja. Isso
você fazia até de segunda. Menos quando eu estava de dieta. Conta outra, gorda.
Domingo é dia das mães. Eu tô com a minha, te mandou um beijo. Manda outro. Manda
um beijo pra Vó Tereza também, leva uma flor. A mãe vai fazer feijoada. E ela
sabe? Carol e Paula vão ajudar. E quando foi que elas fizeram uma feijoada na
vida? Diz que vai dar um jeito, sem orelha, sem pele. Mas aí não tem graça. Bom
é galo na panela, né pai? E sem pressão. E o que tiver na despensa, dispensa. Uma
letra faz uma diferença danada numa palavra, né, Jô? Eu que o diga, gostou da
moda? Boa. Manda beijo também pro Vô e pro Neto. Oi e thau. Pra não perder o
costume. Te amo, flor de ipê. Eu mais. A vida é um sopro, Jô. A música tá acabando, pai. E a saudade? Essa
não acaba não. Vamos escutar mais um pouco...
Josane H.
10/05/2019
10/05/2019
17h30