28 de janeiro de 2020

Não há despedidas para as melhores coisas da vida




A gente nunca sabe quando será a última vez. Existiu a última mamadeira que nossa mãe preparou de manhã. Existiu a última noite em que seu pai conseguiu te carregar dormindo da sala até o quarto. Existiu uma tarde em que brincamos com nossos amigos na rua pela última vez. Existiu aquele pedaço de bolo feito pela nossa vó que nunca imaginamos que seria o último. Quantas vezes vivemos pela última vez um grande momento? Não foi em outra vida. Foi nessa. É nessa. O tempo todo. É agora. Há momentos que não vão existir novamente. E não podemos mudar isso. Nunca vamos saber quando será a última vez que olharemos para um céu azul, uma chuva caindo ou um arco-íris. Mas haverá uma última vez. Um dia você vai deitar no colo da sua mãe para chorar e não existirá uma outra chance. Vai carregar seu filho no seu colo até cansar seus braços, sem saber que será a última vez que fará isso. E sentirá saudade. E é assim todos os dias. É assim para todas as pessoas no mundo inteiro. Sempre haverá a primeira vez e sempre haverá a última vez. Em tudo. Não há despedidas para as melhores coisas da vida. Por isso é tão urgente os perdões. Por isso é tão urgente os abraços demorados. É tão urgente o “eu te amo” ainda na cama antes do café. O bilhete “volta logo” na mala. O “vem aqui em casa” ao invés de uma conversa por aplicativo. O almoço de domingo com a família conectada e celulares desligados. O desenho da casinha, sol e árvore com moldura na casa do vô. Houve um dia em que eu e meu pai cantamos “mão do tempo” na varanda de casa sem saber que seria a última vez. E também houve um último áudio gravado de um amigo antes dele se dar um tiro. A gente nunca sabe quando será a última vez. E você qual foi a última vez que viveu um momento que nunca mais existiu?  

Josane H.