É preciso coragem para se viver profundamente a vida, enfrentando seus desafios com bravura e, no meio de toda loucura, ainda equilibrar os sentimentos que navegam por nosso coração. A gente tem o costume de conduzir nossa história acreditando que amanhã é outro dia e tudo bem esperar chegar um novo amanhecer para fazer, finalmente, as escolhas que merecemos.
A verdade é que nos acostumamos a conviver com essa ideia insensata de que temos todo o tempo do mundo. E bem lá dentro – quase achando petróleo – a gente sabe que a vida é um sopro. Destino não sorte, é uma escolha diária, que se faz toda manhã logo que se abre os olhos. Você acorda, iça suas velas, olha o “x” no seu mapa, planeja a forma que vai usar o vento a seu favor e vai. No começo é normal se perder, sentir medo com qualquer chuvinha ou se cansar no trajeto, mas depois, mesmo no meio de temporais gigantescos, você sabe exatamente o que fazer com seu barco pra ele não afundar.
Alguém já disse “nenhum vento lhe será favorável se você não sabe onde quer chegar”. Eu desenhei meu mapinha em março de 2018, algumas semanas depois que meu pai morreu. São quatro anos desde então. Tem dias em que o vento está tão forte e frio, que até meus olhos congelam e há noites em que o céu está tão extraordinário e limpo, que até minha alma flutua entre as estrelas. Mas em nenhum momento, por nenhum segundo que seja, eu me perco mais. Alguns chamam de sorte, outros de amor próprio. Eu chamo de Deus.
Josane H.