18 de agosto de 2022

Mergulhos

 

Sabe o que é? Eu me apaixonei. Desculpa. Acho que não era isso que você queria. Eu nunca me dei bem nesses tratos sentimentais. Então, deve existir outro alguém que sirva pra viver isso com você e nadar nesse raso. Por algumas vezes - quero que saiba - eu saí dessa piscina rasa e fui correndo lá mergulhar no marzão (acredita que existe essa palavra? Significa grande extensão de água, mar grande, ponto do oceano de onde não se avista terra, alto-mar). Sabe as perguntas que eu faço? “Você ainda tá no tinder?”, “você tá falando com os seus crushs?”... pois é... nunca foram pra criar climão não rsrsrsr... é por que eu preciso ouvir você dizer que sim, e assim, eu voltar pro raso, onde combinamos de ficar. De onde você nenhuma vez saiu. E o raso é bom... com certeza o raso é bom... ele é confortável, dá até pra pegar uma cor, não tem ondas, é sempre quentinho. Meio corpo pra dentro, meio pra fora. Nunca é completo, mas tá tudo bem. E ninguém precisa ter medo do raso, até por que não há riscos. Mas, olha, eu preciso te falar uma coisa: eu gosto do mar. Eu gosto muito do mar. E o mar não é isso. O mar nunca foi e nunca será uma piscina rasa de clube, onde a gente nada com boia no braço, mesmo dando pé, com medo de se afogar. O mar exige uma coragem foda do caralho. E só quem tem coragem, nada nele. No mar a gente dá ponta, pula de bombinha, surfa, navega. O mar é imensidão, é onde nosso coração mergulha profundamente, é onde se chega a algum lugar pra ancorar o barco e conhecer ilhas incríveis e depois navegar de novo, infinitamente. O mar é onde nossa melhor viagem acontece, é onde o sol nasce e se põe dentro da gente. E eu gosto de sentir tudo isso. E quando estou com você, eu sinto vontade de entrar no mar. Fechei os olhos pra terminar de escrever esse texto e me visualizei entrando nele e, quando olho pra trás, você continua lá parada, em pé em sua piscina rasa, sem saber o que fazer. Então eu falo baixinho “vem”.