Eu não tive tempo de me despedir de você. Ninguém teve. Que dor insuportável escrever sobre isso. Estou fugindo há meses desse papel em branco. Enquanto busco palavras para colocar pra fora tudo o que está aqui dentro, vejo você sorrindo em câmera lenta.
O ano é 2006, você tem 32 anos, seus cabelos são compridos e seus olhos castanhos estão cobertos por uma força que quase me toca agora. Você brinca comigo, ri alto, e corre por aquele corredor pequeno e tão imensamente repleto de lembranças nossas. As paredes vão se enchendo de frases e momentos, parece um cinema tridimensional. Se você lesse isso acharia tão bobo. Minha cabeça é muito louca, penso. Mas tudo isso é tão bonito.
O sol vai se pôr, é grama ainda no lugar da piscina, te abraço. Estamos lá fora. Lembra quando você me contou que o sol levava quatro minutos pra se pôr, de quando toca a terra até sumir? Você tinha dez anos quando descobriu isso, sozinha, na varanda da sua casa. Parei de escrever e perguntei para o ChatGPT qual o tempo que leva para o Sol desaparecer completamente após a borda inferior tocar o horizonte na nossa região. Você estava certa. Em latitudes mais alta, como a nossa, o Sol se move de forma mais inclinada, tornando o pôr do sol mais demorado e isso pode durar de 4 a 5 minutos. Descobri também que esse instante, entre o primeiro toque do Sol no horizonte até ele sumir completamente, é chamado de PÔR DO SOL APARENTE, e a luz ainda continua por mais tempo no céu até escurecer depois. Emocionei.
Escrever é exatamente isso pra mim. Transbordar algo que eu nem sabia que existia aqui dentro, até alguns minutos atrás.
Você será, pra
sempre, um “pôr do sol aparente” na minha vida, minha amiga. E eu nunca mais
vou conseguir olhar para um e não pensar em você.
Onde estiver, continue sendo esse sol.
Com amor,
Jô
