27 de setembro de 2012

Mão do Tempo



Fechei os olhos para te ver hoje
e te vi menino
Com as mãozinhas gordinhas, peito forte
e com o mesmo cabelo cortado errado

Já usei todas as palavras que existem
para expressar minha dor nessa data
Já escrevi todas as dores possíveis
e mesmo assim ainda me sobram palavras

Lembro da minha infância [e que bom lembrar]
vejo você correndo pelo nosso quarto
você dançando comigo na chuva
pulando no seu aniversário
e sinto o seu amor maduro, mesmo tão menino

Seríamos grandes amigos, não é?

Ainda sonho com você às vezes
e acordo querendo ouvir sua voz
Ainda olho para suas fotos
e meu coração aperta

Ainda choramos todos
quando o pai toca “mão do tempo”...
e iremos chorar sempre.
Com dor, com amor e com uma saudade imensa.

Dos meus 33 anos, 6 deles estive ao seu lado.
Depois, acho apenas que vivi aprendendo diariamente
a viver sem você.


26 de setembro de 2012

Três amigos inseparáveis



Ler ouvindo! Fica mais gostoso.


A vida passa e aos poucos você vai mudando seus conceitos, revendo seus desejos e buscando outras possibilidades, crenças e atitudes. Como é incrível perceber tudo isso. A vida me mostrou às tapas e aos pontapés que os meus melhores amigos são o Tempo e a Paciência. 

Meu grande amigo Tempo não costuma falar muito. É tímido, mas muito observador. Às vezes, antes do dormir, ele diz baixinho para eu me acalmar. Antes, brigávamos como duas crianças, e ele sempre me vencia. Hoje, agradeço por ele existir na minha vida. Aprendi vivendo o que o Tempo é capaz de fazer. Foi ele quem me apresentou a Paciência. 

A Paciência é uma amiga que hoje vive junto comigo intensamente. Demorei, mas aprendi a admira-la com uma suavidade doce e sutil. Antes eu a achava superfula, desinteressante e fria. Hoje não mais. Hoje a paciência escuta meus anseios, me dá bons conselhos e me retribui lentamente com seus presentes inesperados. 

E foi assim que nos tornamos três amigos inseparáveis: eu, o Tempo e a Paciência.  

Josane H.

24 de setembro de 2012

Água



Começou a chover
Costumo dizer que quando chove, eu melhoro [é verdade]
Minhas verdades e certezas não duram para sempre
e me sinto grata por ainda melhorar quando chove

Morria de medo de chuva quando era pequena [ainda tenho]
Mesmo assim, eu sempre tomei banho de chuva [ainda tomo]
Quando criança, saía pra rua quando começava a chover
Embora tremesse de medo dos trovões e dos raios,
eu ficava ali, molhando meu corpo
enquanto meu coração pulava na garganta
Sentia tanto medo que às vezes chorava
Mas eu não desistia de estar ali
Olhar para o céu escuro, ver as nuvens andar mais rápido
e os pingos caindo era tentador demais
Enfrentei e enfrento meu inimigo cruel e barulhento até hoje
Seja em casa, na rua ou na estrada

É igual mergulhar no mar ou em represas
Tenho pavor do que pode ter embaixo do meu corpo e não vejo
Medo de afundar e não voltar mais
Medo de não enxergar o que tem perto
Quando mergulho e não sinto meus pés no chão, me desespero
Sinto um medo sufocante e tão intenso
mas a vontade de ir cada vez mais para o fundo é maior
E eu faço isso
Saio nadando, cada vez mais longe,
mesmo quando me falta o ar de tanto pânico

Os meus medos nunca me impediram de fazer nada
Gosto deles
São como amigos de escola que a gente não vê mais
e que as vezes aparecem
e dá aquela impressão de que nunca estiveram longe

Vem chuva, vem, pode vir
Eu gosto de sentir medo de você!

17 de setembro de 2012

Não posso parar...


"Amoras silvestres
No passeio público
Amores secretos
Debaixo dos guarda-chuvas
Tempestades que não param
Pára-raios quem não tem
Mesmo que não venha o trem
Não posso parar"

(Zeca Baleiro)

 

13 de setembro de 2012

Sentimental

 
Obrigada!
 
Agradeço por nascer onde nasci
e ser exatamente como eu sou
Agradeço aos meus avós
por colocar no mundo a Rose e o Paulo
Agradeço pela Paula, Carol, Pablo,
Renan, Mariana, Felipe e Caio
Agradeço por ter vivido ao lado do Neto
até os seus seis anos e me lembrar com carinho
dos seus olhos de menino, tão doce.

Agradeço por cada pessoa da minha família
Por ter tido a oportunidade de fazer minha Vó Olga sorrir
ao me ver dançar na praia
Por poder ligar pra minha Vó Tereza hoje
e sua voz dizendo “Deus te abençoe minha filha”
Agradeço por meus tios e seus conselhos,
Pelos meus primos divertidos e seus filhos que nascem agora.

Agradeço pelo amor incondicional que sempre recebi de todos
Por ser filha de um homem
que se tornou pai aos quarenta anos de idade,
mesmo quando eu já tinha mais de vinte.
Agradeço por ser filha de uma mulher guerreira
que preferiu viver a incerteza ao lado de quatro filhos,
a conviver com a tristeza.

Agradeço por meus poucos amigos,
pelas palavras, pela força, pelas risadas, pelo carinho
Agradeço por ser publicitária
por poder viver das minhas ideias e ganhar por isso
Agradeço por amar alguém de verdade
por caminhar em estradas desconhecidas
e acreditar nesse amor profundamente.  

Obrigada Deus, por tudo que tenho!

Agradeço até por ser chorona
e por chorar ouvindo algumas canções,
como hoje, quando escutei pela primeira vez
“Melodia Sentimental” na voz de Bethania.

Josane H.



Melodia Sentimental

Composição Dora Vasconcellos / Heitor Villa-Lobos

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar.

11 de setembro de 2012

Mais um pouquinho de Chaplin e The Piano Guys

"Você nunca achará o arco-íris, 
se você estiver olhando para baixo."
Charles Chaplin

 

10 de setembro de 2012