28 de novembro de 2012

Não mexe comigo que eu não ando só

#ficadica

Escrevo quando eu quero. Puta que pariu, já tem tanta coisa que eu quero e não posso ter ou fazer. Escrever é talvez uma das poucas coisas que eu realmente escolho fazer ou não. Pelo menos quando se refere a escrever sobre o que eu penso, sobre minha pessoa, a minha vida e, principalmente, quando é de graça.  

Já ouvi essa canção falada umas 4 vezes. Não me canso. É bom, bom pra cantar, pra pensar, pra abençoar! Maria Bethania arrasou mais uma vez.





Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe não
Eu tenho zumbi, besouro o chefe dos tupis
Sou tupinambá, tenho erês, caboclo boiadeiro
Mãos de cura, morubichabas, cocares, arco-íris
Zarabatanas, curarês, flechas e altares.
A velocidade da luz no escuro da mata escura
O breu o silêncio a espera. Eu tenho jesus,
Maria e josé, todos os pajés em minha companhia
O menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos
O poeta me contou
Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe não
Não misturo, não me dobro. A rainha do mar
anda de mãos dadas comigo, me ensina o baile
das ondas e canta, canta, canta pra mim, é do
ouro de oxum que é feita a armadura guarda o
meu corpo, garante meu sangue, minha garganta
O veneno do mal não acha passagem e em meu
coração maria ascende sua luz, e me aponta o
caminho.
Me sumo no vento, cavalgo no raio de iansã,
Giro o mundo, viro, reviro tô no reconcavo
Tô em face, vôo entre as estrelas, brinco de
ser uma. Traço o cruzeiro do sul, com a tocha
da fogueira de joão menino, rezo com as três
marias, vou além me recolho no esplendor das
nebulosas descanso nos vales, montanhas, durmo
na forja de Ogum, mergulho no calor da lava
dos vulcões, corpo vivo de xangô
Não ando no breu nem ando na treva
Não ando no breu nem ando na treva
É por onde eu vou que o santo me leva
É por onde eu vou que o santo me leva
Medo não me alcança, no deserto me acho, faço
cobra morder o rabo, escorpião vira pirilampo
Meus pés recebem bálsamos, unguento suave das
mãos de maria, irmã de marta e lázaro, no
oásis de bethânia.
Pensou que eu ando só, atente ao tempo, não
começa nem termina, é nunca é sempre, é tempo
de reparar na balança de nobre cobre que o rei
equilibra, fulmina o injusto, deixa nua a justiça
Eu não provo do teu féu, eu não piso no teu chão
E pra onde você for não leva o meu nome não
E pra onde você for não leva o meu nome não
Onde vai valente? você secô, seus olhos insones
secaram, não vêêm brotar a relva que cresce livre
e verde, longe da tua cegueira. Seus ouvidos se
fecharam à qualquer música, qualquer som, nem o
bem nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe
Você pisa na terra mas não sente, apenas pisa,
Apenas vaga sobre o planeta, já nem ouve as
teclas do teu piano, você está tão mirrado que
nem o diabo te ambiciona, não tem alma, você é
o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.
O que é teu já tá guardado
Não sou eu que vou lhe dar,
Não sou eu que vou lhe dar,
Não sou eu que vou lhe dar
Eu posso engolir você, só pra cuspir depois,
minha forma é matéria que você não alcança
Desde o leite do peito de minha mãe, até o sem
fim dos versos, versos, versos, que brota do
poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita
na palma da inspiração de caymmi, se choro, quando
choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que
alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes
que você secou.
Se desejo o meu desejo faz subir marés de sal e
sortilégio, vivo de cara pra o vento na chuva e
quero me molhar. O terço de Fátima e o cordão de
Gandhi, cruzam o meu peito.
Sou como a haste fina que qualquer brisa verga
mas, nenhuma espada corta
Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe comigo

(Maria Bethania)

2 de outubro de 2012

Inté.

Oi pessoas,
Mais uma vez, preciso ir.
Sinto muito.
Desculpem os comentários que não postei.
Obrigada pelo carinho.
Fiquem com Deus.

Beijinho da Jô

1 de outubro de 2012

Pés de algodão



Deus me deu um coração que sabe amar, uma impulsividade soberana e uma criatividade irresponsável. Aos poucos, como todo adulto,  vou perdendo tudo isso. Amadurecendo ao contrário. Uma chatice. Eu, logo eu, que sempre achei o máximo amar, viver intensamente cada gota e até sangrar por amor. Vou me juntando, lentamente, a todo resto desse mundo medíocre, coberto de razões intolerantes. Todos gostam de Shakespare, mas vivem com versos Clinton no seu criado mudo.
Então, alguém me aparece assim, de repente, como se fosse preciso me fazer “desamadurecer”. Faz eu ouvir Legião Urbana, beber seu vinho caro e fumar falsas doces realidades. Pulei em câmera lenta e falei das colheitas de algodão. “Jô, eu nem sabia que algodão era planta”.  

27 de setembro de 2012

Mão do Tempo



Fechei os olhos para te ver hoje
e te vi menino
Com as mãozinhas gordinhas, peito forte
e com o mesmo cabelo cortado errado

Já usei todas as palavras que existem
para expressar minha dor nessa data
Já escrevi todas as dores possíveis
e mesmo assim ainda me sobram palavras

Lembro da minha infância [e que bom lembrar]
vejo você correndo pelo nosso quarto
você dançando comigo na chuva
pulando no seu aniversário
e sinto o seu amor maduro, mesmo tão menino

Seríamos grandes amigos, não é?

Ainda sonho com você às vezes
e acordo querendo ouvir sua voz
Ainda olho para suas fotos
e meu coração aperta

Ainda choramos todos
quando o pai toca “mão do tempo”...
e iremos chorar sempre.
Com dor, com amor e com uma saudade imensa.

Dos meus 33 anos, 6 deles estive ao seu lado.
Depois, acho apenas que vivi aprendendo diariamente
a viver sem você.


26 de setembro de 2012

Três amigos inseparáveis



Ler ouvindo! Fica mais gostoso.


A vida passa e aos poucos você vai mudando seus conceitos, revendo seus desejos e buscando outras possibilidades, crenças e atitudes. Como é incrível perceber tudo isso. A vida me mostrou às tapas e aos pontapés que os meus melhores amigos são o Tempo e a Paciência. 

Meu grande amigo Tempo não costuma falar muito. É tímido, mas muito observador. Às vezes, antes do dormir, ele diz baixinho para eu me acalmar. Antes, brigávamos como duas crianças, e ele sempre me vencia. Hoje, agradeço por ele existir na minha vida. Aprendi vivendo o que o Tempo é capaz de fazer. Foi ele quem me apresentou a Paciência. 

A Paciência é uma amiga que hoje vive junto comigo intensamente. Demorei, mas aprendi a admira-la com uma suavidade doce e sutil. Antes eu a achava superfula, desinteressante e fria. Hoje não mais. Hoje a paciência escuta meus anseios, me dá bons conselhos e me retribui lentamente com seus presentes inesperados. 

E foi assim que nos tornamos três amigos inseparáveis: eu, o Tempo e a Paciência.  

Josane H.

24 de setembro de 2012

Água



Começou a chover
Costumo dizer que quando chove, eu melhoro [é verdade]
Minhas verdades e certezas não duram para sempre
e me sinto grata por ainda melhorar quando chove

Morria de medo de chuva quando era pequena [ainda tenho]
Mesmo assim, eu sempre tomei banho de chuva [ainda tomo]
Quando criança, saía pra rua quando começava a chover
Embora tremesse de medo dos trovões e dos raios,
eu ficava ali, molhando meu corpo
enquanto meu coração pulava na garganta
Sentia tanto medo que às vezes chorava
Mas eu não desistia de estar ali
Olhar para o céu escuro, ver as nuvens andar mais rápido
e os pingos caindo era tentador demais
Enfrentei e enfrento meu inimigo cruel e barulhento até hoje
Seja em casa, na rua ou na estrada

É igual mergulhar no mar ou em represas
Tenho pavor do que pode ter embaixo do meu corpo e não vejo
Medo de afundar e não voltar mais
Medo de não enxergar o que tem perto
Quando mergulho e não sinto meus pés no chão, me desespero
Sinto um medo sufocante e tão intenso
mas a vontade de ir cada vez mais para o fundo é maior
E eu faço isso
Saio nadando, cada vez mais longe,
mesmo quando me falta o ar de tanto pânico

Os meus medos nunca me impediram de fazer nada
Gosto deles
São como amigos de escola que a gente não vê mais
e que as vezes aparecem
e dá aquela impressão de que nunca estiveram longe

Vem chuva, vem, pode vir
Eu gosto de sentir medo de você!