18 de dezembro de 2013

Sambinha chorado

Fiz um sambinha chorado
comprei flores, presentes
escrevi um poema até bonito
declarado
e você, nem a janela abriu
- ô moça difícil
nem a luz acendeu
mesmo assim, cantei
ali, na rua, sozinha.
Depois me sentei no barzinho da esquina
e o acordeonista sentou ao meu lado
pra tocar um tango triste
parecia filme
falamos de amor, de saudade
e já era tarde
quando saí cambaleando pra casa
te vi passar.
E quem ia cantar, desencantou.
Mas deixa estar, deixa estar...

Josane H.

13 de dezembro de 2013

Em 2013




Eu não ganhei na loteria em 2013
não tive uma ideia fabulosa para trazer paz no mundo
nem uma grande sacada pra me tornar o próximo Steve Jobs
não terminei o curso de canto
não comecei o curso de consciência cósmica
nem sequer iniciei a pós graduação em Marketing Político
não pintei meu quarto, não comprei um Playstation
não fui à praia, não pulei de para quedas
não fiz uma lista dos melhores filmes que assisti no ano
e não chutei o pau da barraca e fui morar no nordeste

Mas...
Cantei muitas vezes embaixo do chuveiro
Cantei infinitas madrugadas com amigos
Fiz serenata, virei estrelas, pulei de bombinha da piscina
Compus uma única música e me orgulho dela

Aluguei um apartamento
Descobri que odeio ficar sozinha
Voltei a morar na minha casinha em frente à praça

Recebi muita gente na minha varanda
Cozinhei para amigos
Cozinhei para o meu pai
Fiz noite do cachorro quente e filme na casa da minha mãe
Fiz noite da pizza em casa com as amigas
E no final, descobri que eu gosto mesmo é do “juntar”

Juntei amigos no sítio
Juntei irmãos na sala
Juntei violão com gaita
Juntei gente e felicidade

Fiz novas e sinceras amizades
Montamos um grupo de 8 mulheres
e toda terça nos reunimos para
cozinhar, beber, cantar e dar boas risadas

Fui na casa de uma velha amiga para confortá-la
num momento difícil
e aprendemos muito nessa noite
Também conheci uma nova amiga
e aprendi que quando a cumplicidade é verdadeira,
você sente e o tempo é de menos

Escrevi mais do que devia e menos que gostaria
Me dei alta da terapia umas duas vezes
Quebrei um dente
Quebraram o vidro do meu carro
Furou meu pneu na estrada
e ainda me divirto muito lembrando da cara da minha amiga
me vendo trocar o pneu

Atravessei a cidade em prantos
para salvar minha cachorrinha

Chorei de amor, chorei de saudade
Chorei de raiva e também de felicidade
Chorei bêbada ouvindo “Quem de Nós Dois”
E chorei de rir, muito, mas muito mesmo...
até a barriga doer de verdade

Me apaixonei por John Green e Antônio Prata,
mas continuo enlouquecida por
Clarice, Hilda, Rodrigues e Bukowski
Me apaixonei por Bárbara Eugênia, JAZ e pela Dinda.
Mas ainda continuo louca por
Norah Jones, Bethânia e Leoni

Dancei com Sidney Magal
Dancei “jeito carinhoso” na rua com chuva
Dancei o tal do bonde das poderosas com amigas
Descobri novas bandas, novos cantores, novos sons
E acho que música é pra viver, muito mais que ouvir

Recebi flores com cartinhas de amor
Emails com histórias de amigos antigos
Mensagens quentes de madrugada no celular
Recebi carinho de mãe, conselhos de pai
Puxão de orelha de tia
Abraços demorados e intermináveis
de gente que gosta de mim – de graça

E continuo sem entender
por que as pessoas não desistem de mim

Entrei num relacionamento engraçado
e descobri que relacionamento sério é... sério demais
E é bom ser o “eu nunca senti isso por ninguém” de alguém
Tem noites que durmo rindo
Tem noites que nem durmo

Aprendi a ficar sozinha a noite
Aprendi a me olhar nos olhos e me ver no espelho
Aprendi que a paz está dentro da gente
que não adianta procurar felicidade nas outras pessoas
que Deus está nas coincidências
e também no silêncio

Tive almoços bem divertidos
com amigo macumbeiro, gente estranha,
engraçadas, cheia de histórias e de gente que amo
Almoços que renovam a energia e
e a gente volta pra trabalhar mais feliz

Passaram a mão na minha bunda numa festa
Levei torna na cara
Levei um tombo e nunca ri tanto na vida

No meu aniversário reuni amigos verdadeiros e familiares
o bar se encheu de alegria
e quando todos se levantaram pra cantar parabéns,
meus olhos é que se encheram de emoção
Apaguei minhas velinhas agradecendo

Fui acordada pelo meu pai umas duas vezes
para ouvir a mesma história
para chorar a mesma dor
e nos confortar com o mesmo amor
fumando nossos cigarros, de pijama na cozinha

Lavei a alma numa cachoeira com amigos
Saí de madrugada sozinha sem rumo
Parei o carro na estrada para ver o sol nascer

Me diverti conhecendo gente que fuma em áreas para fumantes
Me emocionei ouvindo a história de um catador de latinha

Senti meu coração sair pela boca ao rever uma pessoa
e nos abraçamos forte, mas tão forte
que minha alma se misturou com a dela
E acho que a gente entendeu
que alguns sentimentos são pra sempre
E que ninguém pode mudar isso
Por que tem coisa que não muda, nunca

Talvez esse não tenha sido o melhor ano da minha vida
Ou tenha
Só sei que continuo amando viver

Minha vida é essa aqui
E eu só tenho a agradecer!

Em cada pessoa que deixo entrar na minha roda gigante
Cada momento que eu vivo, palavra que escuto
Cada risada que eu dou, cada caminho que percorro
Faço de coração

Não sou a melhor pessoa do mundo
longe de mim
Mas tento ser o melhor que eu posso ser para os outros
E essa sou eu
A Jô

Risonha, boba e apaixonada pela vida e pelas pessoas.

Josane H.

11 de dezembro de 2013

Gostaria muito

Eu queria ouvir esse moço cantar 
até você dormir sobre meu peito.
Gostaria muito. 

9 de dezembro de 2013

Exatamente assim

Assim
Exatamente assim
Sem mudar uma palavra
Sem me dar nada em troca
Principalmente quando eu peço

Josane H.

Ps.: Vontade de assistir Vicky Cristina Barcelona! 

Dezembro

É hora de refazer os planos
de rever valores, inspirar solidariedade
de dar bons e apertados abraços
É hora de tomar chuva pra recarregar
de deixar a dieta de lado
de colocar velhas canções pra tocar
É hora de redobrar a esperança
de acreditar que tudo é possível
por que afinal, ô se é!
É hora de esquecer aquela mágoa
de olhar nos olhos no espelho
de cantar no chuveiro, de rir de si mesmo
É hora de reunir os amigos na varanda
pegar o violão, abrir uma gelada
e cantar até de manhã
É hora de viver um presente bom
de um carinho lento, uma noite divertida,
uma risada boa, um beijo indecente
É que é dezembro – e que fosse outubro
É hora de não ter hora, de estar onde se quer estar
sentado ao lado da felicidade, brindando com alegria
família, amigos e bons amores.

É hora de “sambar até de madrugada”...

E que nunca me falte
a boa música, gente divertida, o som do violão,
a moda caipira juntando a família,
o cafuné pra dormir e tentadores desafios.

Afinal, é disso que sou feita.
E tá bom assim.

Josane H.

2 de dezembro de 2013

Sobre valores

Certa vez alguém me disse
que eu gosto do que não posso ter.
Que eu gosto do desafio.
E isso não é amor.
E eu sempre me pergunto:
como vou saber se é verdade

se nunca pude ter, como desejei,
o que acreditei amar?

Josane H. 

28 de novembro de 2013

Estação de trem

E eu sei que um dia
vou achar tudo isso uma grande bobeira
vou rir
como eu rio agora de tantas idiotices
que fiz

as melhores idiotices que alguém
pode fazer na vida
estão dentro da loucura de amar

em 1996 – parece tão distante
e parece que foi ontem
em um dia de chuva na piscina
eu achei que fosse morrer sem ar
mas cheguei no céu

eu cheguei no céu e não quis mais voltar
e desde então, é lá que gosto de viver

em tardes com pés descalços na praia
me vi em olhos de pessoas que amei

ainda amo
em algum lugar
em outra cidade, outro país
outro mundo

o amor está lá
em uma estação de trem
com a passagem na mão

eu me casei no mar em 2003
eu me casei no mar em 2008

e se a felicidade existe
ela está ali, pertinho do ar
que se inspira junto
da pessoa que se ama
quando se olham nos olhos.

Josane H.
28 de novembro de 2013