11 de novembro de 2021

Depoimento de uma mulher safra 1979


(clica pra ouvir enquanto lê, fica bemmm mais gostosim)


Quando você termina um relacionamento, qual a sensação? De que não deu certo ou de que foi maravilhoso enquanto durou? Pois bem, vou compartilhar uma historinha.

Esses dias conheci um casal que estão juntos há mais de 50 anos. Fiquei encantada observando os dois sempre juntos no spa que estávamos. Davam risadas entre eles, se curtindo de verdade. Meu coração encheu de alegria só de ver. Esse não enjoar um do outro me deslumbra.

Então, eu estava nadando e eles se aproximaram. Iniciamos uma boa conversa na piscina. Sabe aqueles filmes gravados no final de tarde, com tons alaranjados e sorrisos? Pois é, daria um curta belíssimo a nossa prosa... minha, com a Marta e o Teodoro. Falamos sobre a vida, trabalho, música e... sobre vinhos (e é claro que o Teo foi um senhor bem gentil e verdadeiro gentleman ao dizer que vinho bom é o que a gente gosta de tomar, depois de me ouvir dizer que odiava vinho seco – para a morte súbita de qualquer sommelier). Sutileza, né migos?

Como sou muito “conversadeira” (com orgulho, tá?), viramos amigos de trocar até telefone e marcar almoço na cidade onde eu moro.

E então me peguei agora pouco pensando tanto sobre o que conversamos.

É uma bobeira essa mania nossa de dizer “não deu certo, acabou”, esperando encontrar aquela pessoa que fique pra vida inteira, não? Analisando aqui meus 42 anos de idade e meus últimos 26 anos de relacionamentos, puts, eu fui tããão feliz, mesmo, em todos eles. Não foi o tempo todo não, fui feliz nos detalhes, até por que felicidade é isso, né?

Eu fui feliz num café da manhã e um misto quente queimado com muita risada, fui feilz numa noite em que cheguei cansada e fui recebida com um abraço apertado, fui feliz dançando La Is La Bonita na sala e imitando Tina Turner, fui extremamente feliz enquanto olhava os olhos sorrindo de quem eu amava me olhando, feliz com as flores no meio de uma tarde, feliz acendendo todas as velas dentro de um quarto antes de fazer amor. Esse exercício que fiz agora em lembrar dos momentos que fui feliz é uma das melhores formas de se perdoar alguém (isso não quer dizer voltar).

Se eu quero encontrar alguém que fique a vida toda? Até o final? Quem não quer? Mas hoje, com a maturidade (que espero até perder um pouco quando amar de novo – e tomara que eu perca) aprendi a viver de VERDADE o hoje. Eu gosto daqueles amores loucos de filme, sabe? Das loucuras que a gente faz pra conquistar? Isso me acende o coração e a mente. Eu fico tão mais criativa e concentrada, de um jeito intenso e único. Agora, meus amigos, com toda franqueza de uma mulher safra 1979 que já viveu muito e que acredita que ainda há 100 anos pela frente para morrer de amores e continuar viva: não duvidem nem por um minuto, o amor eterno é – sem dúvida alguma – o amor próprio. É esse que deve ir com você até o final.