- Oh! Conselheiro Baejó…
- Diz mizifi?
- Oh! Conselheiro…
- Vai logo diacho!
- Minha empresa…
- Hum?!
- Está passando por um momento difícil e eu estou começando a desconfiar que meu sócio está me roubando.
- Vixiii… vô tê que pedi ajuda, fio. Guenta aí um pucadinho só – e acendeu uma vela – Aiê zunzun baiê kaikai baê baê…
- ….
- Num tá só roubando fio, tá traçando sua muié também…
- Meu Deus do céu! O Alfredo?!
- Isso aí é pior do que lingüiça caipira esquecida no carro durante semanas, fio. Num vale o suvaco do zé do armazém.
- Mas, o Alfredo?!
- O pior cego é aquele que num qué vê a realidade. E oiá que em terra de cego quem tem um zóio vê cada coisa…
- ?!
- Bom… mas vortando ao assunto. Isso é caso pra vudu!
- Quê?!
- Vuuudu! Num sabe o que é não, né?! Livro caixa sabe, né?!
- Mas…
- Pera – ô Toooonha…bora aqui mia fia…
- Pois não, pai!
- Bora lá pegá um litro de cachaça, vela preta, dois charuto, umas agúias, rádio, um bonequim de pano e uns mendoins…
- E galinha, pai?!
- Galinha, só se fô ocê Tonha! Vô te falar uma coisa neguinha arriada! Sem vergonha! Anota aí o que eu te pedi e pronto! Bora lá…
Chegando na encruzilhada, já passando da meia noite, o sujeito meio assustado fala:
- Mas Baejó…
- Que quê é agora?!
- Mas isso não volta pra gente?!
- Vorta pro cê! Eu num tenho nada di avê com os probrema dos zotro não, fio! Qué desisti, fala agora ou cale-se pra sempre!
- Não… agora eu vou até o fim.
Baejó começa a organizar as coisas, acende um charuto, dá um pro sujeito e senta em frente às velas pretas.
- Pega lá no carro o bonequinho, fio.
- Tudo bem!
- Vai logo, cabra!
Instantes depois o sujeito volta.
- Senta aí, fio!
- Que quê eu faço agora, Baejó.
- Pega agúia….
- Oi?!
- A-gu-iá…
- Ah! Tá… agulhas!
- Vai…
- Vai o quê?!
- Espeta aí…
- No boneco?!
- Não?! Nocê! É lógico que no boneco, diabo!
- Onde?!
- Aiai… eu mereço! Espeta aí cabloco! Vai, manda vê!
Depois que o bonequinho ficou cheio de agulhas, Baejó começa a rir e fala:
- Agora toma.
- Toma?
- Cachaça, fio!
- ….
- Essa aí não, fio! Tem dono e ele é brabo!
- Busca lá no carro a outra que eu “trazi” e aproveita e pega o rádio.
Sujeito chega com uma garrafa de whiski e já vira no bico um bom tanto.
- Tô me sentindo bem, Baejó!
Baejó liga o rádio, coloca Zé Ramalho, come uns amendoins e brinca:
- Tá bem, né?! Pimenta no toba dos zotro é refresco, né, fio?
- Háháhá…
- Dá um gole aí, fio, e conta pra Baejó…
- O quê?!
- E tua muié?
- Belinha?
- Sei lá o nome da safada! Vai fazê o quê com a danada?
- Vou pedir divorcio, ué!
- Vai não… não… num vai… causo di quê, fio?
- Mas Baejó…
- Faz o seguinte: chega em casa agora, dá uma boa travecada na muié, senta o joãozinho na mariazinha, dá um tapa na piriquita e uma boa sova de rabo de porco que a giripoca pia.
- Oi?
- Cê tendeu, né?!
- Tendeu…. tendeu…
- O safado num vai procurá mais ela. A mode isso, vois mi cê pode ficar é tranqüilo. Numa próxima sessão, nóis amarra a piriquita da danada e pronto!
- Tem isso também?!
- Ôxi… cê vê, se escuta… com Baejó é na sorte ou na bala! Dá um tapa na piriquita dela sem tirar a calcinha da safada, isso numa noite de lua cheia e manda a calcinha pra Baejó…
- Mas como sem tirar a calcinha?!
- Diz mizifi?
- Oh! Conselheiro…
- Vai logo diacho!
- Minha empresa…
- Hum?!
- Está passando por um momento difícil e eu estou começando a desconfiar que meu sócio está me roubando.
- Vixiii… vô tê que pedi ajuda, fio. Guenta aí um pucadinho só – e acendeu uma vela – Aiê zunzun baiê kaikai baê baê…
- ….
- Num tá só roubando fio, tá traçando sua muié também…
- Meu Deus do céu! O Alfredo?!
- Isso aí é pior do que lingüiça caipira esquecida no carro durante semanas, fio. Num vale o suvaco do zé do armazém.
- Mas, o Alfredo?!
- O pior cego é aquele que num qué vê a realidade. E oiá que em terra de cego quem tem um zóio vê cada coisa…
- ?!
- Bom… mas vortando ao assunto. Isso é caso pra vudu!
- Quê?!
- Vuuudu! Num sabe o que é não, né?! Livro caixa sabe, né?!
- Mas…
- Pera – ô Toooonha…bora aqui mia fia…
- Pois não, pai!
- Bora lá pegá um litro de cachaça, vela preta, dois charuto, umas agúias, rádio, um bonequim de pano e uns mendoins…
- E galinha, pai?!
- Galinha, só se fô ocê Tonha! Vô te falar uma coisa neguinha arriada! Sem vergonha! Anota aí o que eu te pedi e pronto! Bora lá…
Chegando na encruzilhada, já passando da meia noite, o sujeito meio assustado fala:
- Mas Baejó…
- Que quê é agora?!
- Mas isso não volta pra gente?!
- Vorta pro cê! Eu num tenho nada di avê com os probrema dos zotro não, fio! Qué desisti, fala agora ou cale-se pra sempre!
- Não… agora eu vou até o fim.
Baejó começa a organizar as coisas, acende um charuto, dá um pro sujeito e senta em frente às velas pretas.
- Pega lá no carro o bonequinho, fio.
- Tudo bem!
- Vai logo, cabra!
Instantes depois o sujeito volta.
- Senta aí, fio!
- Que quê eu faço agora, Baejó.
- Pega agúia….
- Oi?!
- A-gu-iá…
- Ah! Tá… agulhas!
- Vai…
- Vai o quê?!
- Espeta aí…
- No boneco?!
- Não?! Nocê! É lógico que no boneco, diabo!
- Onde?!
- Aiai… eu mereço! Espeta aí cabloco! Vai, manda vê!
Depois que o bonequinho ficou cheio de agulhas, Baejó começa a rir e fala:
- Agora toma.
- Toma?
- Cachaça, fio!
- ….
- Essa aí não, fio! Tem dono e ele é brabo!
- Busca lá no carro a outra que eu “trazi” e aproveita e pega o rádio.
Sujeito chega com uma garrafa de whiski e já vira no bico um bom tanto.
- Tô me sentindo bem, Baejó!
Baejó liga o rádio, coloca Zé Ramalho, come uns amendoins e brinca:
- Tá bem, né?! Pimenta no toba dos zotro é refresco, né, fio?
- Háháhá…
- Dá um gole aí, fio, e conta pra Baejó…
- O quê?!
- E tua muié?
- Belinha?
- Sei lá o nome da safada! Vai fazê o quê com a danada?
- Vou pedir divorcio, ué!
- Vai não… não… num vai… causo di quê, fio?
- Mas Baejó…
- Faz o seguinte: chega em casa agora, dá uma boa travecada na muié, senta o joãozinho na mariazinha, dá um tapa na piriquita e uma boa sova de rabo de porco que a giripoca pia.
- Oi?
- Cê tendeu, né?!
- Tendeu…. tendeu…
- O safado num vai procurá mais ela. A mode isso, vois mi cê pode ficar é tranqüilo. Numa próxima sessão, nóis amarra a piriquita da danada e pronto!
- Tem isso também?!
- Ôxi… cê vê, se escuta… com Baejó é na sorte ou na bala! Dá um tapa na piriquita dela sem tirar a calcinha da safada, isso numa noite de lua cheia e manda a calcinha pra Baejó…
- Mas como sem tirar a calcinha?!
(Crônica escrita em 2008)
Tem mais no meu blog antigo: http://josane.blog.terra.com.br/?s=conselheiro
