26 de outubro de 2011

Tá. E se eu disser que tenho cantado no carro, ouvindo musica alta, sem me importar se o motorista vizinho vai achar que sou louca, você fica mais um pouco?
Se eu disser que tenho acordado sorrindo, mesmo depois de ter chorado tanto nesses últimos meses, você aceita o convite pra ir ao casamento em novembro?
Se eu disser que tem sido perfeito, que eu adorei a idéia do mapa e que sim, eu aceito um novo roteiro, você reprograma tudo?
Se eu disser que aprendi tanto estando ao seu lado, que até perdoei aquelas pessoas que eu jamais achei que conseguiria, você me perdoa por não ter respondido sua pergunta como eu deveria?

25 de outubro de 2011

Perninhas de alicate sim e daí?


Ultimamente tô com uma necessidade de movimentar meu corpinho mais que o normal. Tá até engraçado isso. Ando subindo as escadas com mais velocidade, acordo de manhã já pulando da cama, saio da produtora e vou correndo até o carro!
Talvez essa seja a forma que encontrei de dizer “não, eu não tenho tempo pra ser menininha moça tocadora de piano freudiana poetinha do caralho e ficar lamentando a vida e bla bla bla e sofrer de amor”.
Quando bate a sensação “menininha tocadora de piano”, eu já lembro daquela sniper soviética (pera, deixa eu lembrar o nome dela... digitando no google). Lyudmila Pavlichenko! Puta merda que nominho difícil do cão! A moça matou 300 e cacetadas alemães na II Guerra e demorou só um mês pra se recuperar de um morteiro! Há, UM MÊS! Míseros 30 dias. E eu fiquei até poucos dias atrás fazendo até cebola chorar quando eu cortava uma. Pelo amor de Deus!
Agora chega, né? E eu já dei grandes avanços. Hoje mesmo! Hoje cedo, quando tomava meu toddynho o canudinho entrou pra dentro. Antes eu iria sofrer igual saco de peão no rodeio (eu achei essa metáfora idiota, mas foi o que havia de criatividade no momento), já ia mandar todo mundo a merda logo cedo. Mas não! Não mais! Não vai ser um canudinho filha duma mãe que vai tirar minha alegria de viver. Eu disse: foda-se! E foi isso. Feliz pro resto do dia. 
Agora sou uma sniper benhê! Uma super mulher de perninhas de alicate franco-atiradora (ou seria franca-atiradora? Tô nem aí e não vou no Google agora).
E aí? Vai encarar?


Lyudmila Pavlichenko!






24 de outubro de 2011

Obrigada!




















Eu não vou saber explicar
Então não me perguntem, por enquanto
Deixa acontecer
Deixa a água passar, o vento soprar
Eu vou estar sempre de braços abertos
Pra tudo o que vida me trouxer
Agradeço cada dia, agradeço mesmo
Hoje é como se fosse o ultimo dia
E foi assim sempre
Vivendo e não sobrevivendo
Todas as casas são minha casa e eu sou feliz por isso
Tem casa de amigo, casa de mãe, casa de tia
Tem confraria, roda de viola, amigos de pai cantando na praça
Tem criança querendo ouvir histórias que conto
Minha semana passa, minhas noites viram lembranças  
E motivos de risada na manhã seguinte
Eu vou pra onde me der vontade
Até posso ir dormir simplesmente, mas vou por que quero
Vou com entusiasmo de um lutador de boxe
Mas ao mesmo tempo, com a delicadeza de um arqueólogo
Não mudo meu rumo, mas adoro inverter caminhos
Tento fazer o melhor possível
Se der tudo certo, ótimo
Se não, ainda assim, valeu a pena!
Obrigada a todos por tudo, de verdade!

Mestre Baejó

- Oh! Conselheiro Baejó…
- Diz mizifi?
- Oh! Conselheiro…
- Vai logo diacho!
- Minha empresa…
- Hum?!
- Está passando por um momento difícil e eu estou começando a desconfiar que meu sócio está me roubando.
- Vixiii… vô tê que pedi ajuda, fio. Guenta aí um pucadinho só – e acendeu uma vela – Aiê zunzun baiê kaikai baê baê…
- ….
- Num tá só roubando fio, tá traçando sua muié também…
- Meu Deus do céu! O Alfredo?!
- Isso aí é pior do que lingüiça caipira esquecida no carro durante semanas, fio. Num vale o suvaco do zé do armazém.
- Mas, o Alfredo?!
- O pior cego é aquele que num qué vê a realidade. E oiá que em terra de cego quem tem um zóio vê cada coisa…
- ?!
- Bom… mas vortando ao assunto. Isso é caso pra vudu!
- Quê?!
- Vuuudu! Num sabe o que é não, né?! Livro caixa sabe, né?!
- Mas…
- Pera – ô Toooonha…bora aqui mia fia…
- Pois não, pai!
- Bora lá pegá um litro de cachaça, vela preta, dois charuto, umas agúias, rádio, um bonequim de pano e uns mendoins…
- E galinha, pai?!
- Galinha, só se fô ocê Tonha! Vô te falar uma coisa neguinha arriada! Sem vergonha! Anota aí o que eu te pedi e pronto! Bora lá…

Chegando na encruzilhada, já passando da meia noite, o sujeito meio assustado fala:
- Mas Baejó…
- Que quê é agora?!
- Mas isso não volta pra gente?!
- Vorta pro cê! Eu num tenho nada di avê com os probrema dos zotro não, fio! Qué desisti, fala agora ou cale-se pra sempre!
- Não… agora eu vou até o fim.

Baejó começa a organizar as coisas, acende um charuto, dá um pro sujeito e senta em frente às velas pretas.
- Pega lá no carro o bonequinho, fio.
- Tudo bem!
- Vai logo, cabra!

Instantes depois o sujeito volta.
- Senta aí, fio!
- Que quê eu faço agora, Baejó.
- Pega agúia….
- Oi?!
- A-gu-iá…
- Ah! Tá… agulhas!
- Vai…
- Vai o quê?!
- Espeta aí…
- No boneco?!
- Não?! Nocê! É lógico que no boneco, diabo!
- Onde?!
- Aiai… eu mereço! Espeta aí cabloco! Vai, manda vê!

Depois que o bonequinho ficou cheio de agulhas, Baejó começa a rir e fala:
- Agora toma.
- Toma?
- Cachaça, fio!
- ….
- Essa aí não, fio! Tem dono e ele é brabo!
- Busca lá no carro a outra que eu “trazi” e aproveita e pega o rádio.

Sujeito chega com uma garrafa de whiski e já vira no bico um bom tanto.
- Tô me sentindo bem, Baejó!
Baejó liga o rádio, coloca Zé Ramalho, come uns amendoins e brinca:
- Tá bem, né?! Pimenta no toba dos zotro é refresco, né, fio?
- Háháhá…
- Dá um gole aí, fio, e conta pra Baejó…
- O quê?!
- E tua muié?
- Belinha?
- Sei lá o nome da safada! Vai fazê o quê com a danada?
- Vou pedir divorcio, ué!
- Vai não… não… num vai… causo di quê, fio?
- Mas Baejó…
- Faz o seguinte: chega em casa agora, dá uma boa travecada na muié, senta o joãozinho na mariazinha, dá um tapa na piriquita e uma boa sova de rabo de porco que a giripoca pia.
- Oi?
- Cê tendeu, né?!
- Tendeu…. tendeu…
- O safado num vai procurá mais ela. A mode isso, vois mi cê pode ficar é tranqüilo. Numa próxima sessão, nóis amarra a piriquita da danada e pronto!
- Tem isso também?!
- Ôxi… cê vê, se escuta… com Baejó é na sorte ou na bala! Dá um tapa na piriquita dela sem tirar a calcinha da safada, isso numa noite de lua cheia e manda a calcinha pra Baejó…
- Mas como sem tirar a calcinha?!


(Crônica escrita em 2008)
Tem mais no meu blog antigo: http://josane.blog.terra.com.br/?s=conselheiro

e vamo que vamo...

"Ah, vamos dando risada que a vida nos chama não da pra chorar
A minha oração é bem curta pro santo não entediar
E vamo que vamo e vamo que vamo que dá"


Boa semana!