24 de julho de 2015

Ela Disse-me Assim




Ela Disse-me Assim
(Lupicínio Rodrigues)
 
Ela disse-me assim:
"Tenha pena de mim. Vá embora!
Ele pode chegar.
Vais me prejudicar.Tá na hora!"
E eu não tinha motivo nenhum
Para me recusar,
Mas, aos beijos, caí em seus braços
E pedi para ficar.
Sabe o que se passou?
Ele nos encontrou. E agora
Ela sofre somente por que
Fui fazer o que eu quis
E o remorso está me torturando
Por ter feito a loucura que fiz:
Por um simples prazer

Fui fazer meu amor infeliz.

23 de julho de 2015

Hummmm

Gente, quem tá procurando uma trilha bem gostosinha pra ouvir juntinho com alguém, eu tenho uma dica muito boa: "Kings of Convenience", a banda silenciosa. Agora, se é pra esquentar, tem "Rhye", uma versão renovada de "Sade". Quem tem spotify, é só procurar por eles lá ou ir no youtube. Dica quentinha para uma quinta fria, né? Beijo!




22 de julho de 2015

Olhar nos olhos





Nossa geração tem sorte, ou não?


Nossas avós faziam chá pra reunir amigas
e contar as novidades.
Hoje é só postar no face, no insta, no grupo do whatsapp.
Pronto. Todo mundo fica sabendo.

Para nossos pais terem notícias
do velho amigo do colégio,
tinham que ligar, telefonar, mandar carta.
Visitar.

Quanto tempo faz que não visitamos um amigo
para ouvir ele contar um pouco da sua vida?
Olhar nos seus olhos, de verdade?

Nos acostumamos a ver a vida dos outros
sem sentir, sem compartilhar, 
a enxergar sem alma.
Esfriou.

Hoje é só olhar nas redes sociais.
Tá tudo ali. Fácil.
Onde estão, onde trabalham, o que gostam de comer,
fotos do marido, da esposa, filhos, festas.

Olhamos e interpretamos do nosso jeito.
Se postou uma foto na festa, está tudo bem.
Simples assim.
Não vamos além. Estacionamos.

Até cumprimentar um amigo no aniversário
não é preciso nem mais ligar.
Basta deixar uma mensagem na linha do tempo,
mandar por inbox. Pronto.

O abraço fica pra depois.
A conversa com olhos nos olhos também.
E o que mais fica para depois?

Quer um conselho?
Chame aquele amigo antigo para um almoço,
leve sua mãe ao teatro, 
jante com seu namorado,
sente no boteco com seus amigos.

Mas, por favor
silencie o celular
e aumente o volume do seu coração.
Está na hora de voltarmos
a nos conectar com as almas das pessoas.


Não está?

Josane H.

16 de julho de 2015

Mulheres





















Se tem algo que me deixa feliz nessa vida é ser mulher.
Eita bicho louco.
Principalmente as que estão na minha faixa de idade,
de 30 a 40 anos.
Essas deveriam ficar internadas nessa fase da vida.
Tudo doida varridas.

Tem aquelas que se fazem de santa
e de santa não tem nada.
Tem as dramáticas, as apaixonadas.
As solteiras loucas pra casar.
As namoradeiras, as enroladas.
Tem aquelas que já encheram o saco
dessa baboseira de final feliz de novela
e sai todo dia pra beber.
As que namoram por amor
e as que namoram
porque não tem nada melhor pra fazer.
As que só pensam em sexo
e as que querem viver um comercial de margarina.

Uma que vive na caça,
outra que vive em casa,
e a que vive no boteco.

E tem as casadas.
Aquelas que já decoraram
os DVDs da Galinha Pintadinha e Peppa Pig.
As que acabaram de se casar
e seguem todos os instas de receitas culinárias
e já se sentem a Ana Maria Braga da cozinha.
As que já tem filhos que perguntam
“porque eu tenho pipi e a minha irmã não”
e que liga pra mãe pra perguntar o que responder.
As que curtem seus kids com alegria
e juntam as cadeiras no fim da festa
pra eles dormirem enquanto elas continuam se divertindo.
Tem também as mães maníacas
“bota blusa, não pula na piscina, sai do sereno”.

Enfim. Solteiras, casadas, juntadas, enroladas.
Se tem uma raça louca de pedra nesse mundo
é a tal da mulher de 30 a 40 anos.
Mas são as melhores do mundo.
Divertidas, decididas, mais espertas,
doces e amargas ao mesmo tempo.

Estou amando essa fase.


Josane H.  

11 de junho de 2015

Uma boa vida




Já tomei tantas doses de licor de estrelas
tão mais forte que cocaína e quilos de mentira
que nem me lembro de amanhecer quando anoitece
nem despertar quando é dia 

Desde pequena ouço os olhos das pessoas
toco o silêncio das conversas frias
danço cores entrelaçadas de algodão
e canto flores que do mar foram colhidas

Quando numa tarde de chuva de folhas
meu corpo anunciar minha partida
vou estar com o coração cheio de sorriso  
e uma voz vai me abraçar e dizer “foi uma boa vida”

não foi?

Josane H.

10 de junho de 2015

Para o dia dos namorados






















Esses dias uma amiga comentou
“eu amei dois homens”
e eu respondi
“então não era amor”.
Começamos uma conversa que demorou pra acabar.
E eu não consegui explicar na hora.

Mas o que eu queria dizer
é que o amor nunca vai embora.
O amor fica.

“Ah, mas eu amei sim.
Amei meu ex, amei fulano,
amei José, amei Amélia”

Não era amor.
E se alguém entrou na sua vida e saiu
sinto muito, mas nunca foi amor.
O verbo amar não se conjuga no passado.
Deveria ser proibido, por lei, dizer “eu amei”.

Demorei 20 anos pra entender isso.

E se você está lendo esse texto agora
se perguntando por que aquela pessoa foi embora,
pare de se perguntar.

Você mesmo já deve ter partido
quando alguém queria que ficasse.

A resposta está dentro da gente.

Eu conheço muitos casais.
E sabe quantos eu tenho certeza que é amor?
Uns três apenas.

E tudo o que quero pra mim
é ser o quarto casal.

No começo desse ano
eu me apaixonei por alguém  
E fazia muito tempo que isso não acontecia.
Mas o amor não veio junto.
Ficou perdido no meio da caminho
e não nos encontrou.
Mas a amizade, sim.

Por isso, eu tenho um pedido pra fazer:
não percam tempo da vida de vocês
vivendo uma relação por conformismo
ou qualquer outra coisa.

Como diz uma amiga minha
(que está entre os três casais que conheço)
“amor é uma boa conversa antes de dormir”

Não cometa o erro de tentar
despertar o amor em alguém.
Isso não existe.
Ele é automático.
Se está em você, está na outra pessoa.
É assim que ele age.
De forma misteriosa, única e extraordinária.

E, acreditem quando eu digo
que ele dura, pelo menos,
até o fim da vida de vocês.

Josane H.

09/06/2015

5 de maio de 2015

Mãe



Aperte play e boa leitura!

























Eu tinha uns nove anos de idade...
cheguei chorando em casa
e ela pegou minha mão pequena e disse
“olha o tamanho da sua mão, Jô
é o mesmo tamanho da amiga que te bateu
viu? a minha é bem maior
se voltar chorando mais uma vez
vai ver que a minha mão
também é bem mais pesada que a dela.”

Foi assim que aprendi com minha mãe
que eu teria que ser forte.
Que não adiantaria chorar
nem esperar que ela fosse lá na rua me defender.
Que por mais que ela me amasse
ela não poderia resolver os meus problemas.

Minha mãe me criou pro mundo.

Minha mãe nunca foi daquelas de se preocupar muito.
Nem de exigir notas altas ou voltar cedo pra casa.
Ela dizia
“o que você faz é que define quem você é, Jô”.
Simples assim.

“Seja gentil, esperta e corajosa
e seja com os outros o que gostaria que fossem com você.”

Cresci querendo ser uma boa pessoa
porque vi minha mãe sendo generosa com o próximo.
Cresci olhando o lado bom da vida
porque vi minha mãe sorrindo,
mesmo quando alguém foi ruim com ela naquele dia.
Cresci acreditando que é possível realizar nosso sonho
porque vi minha mãe matar vinte leões por dia
para conseguir dar o melhor para os seus filhos.

E somos, eu, Paula, Carol e Pablo
um sonho realizado, eu tenho certeza.

Cresci com orgulho
porque minha mãe nunca desistiu
nem quando perdeu um filho
nem quando se separou do meu pai
nem quando teve que voltar a estudar

Ela nunca desistiu.

Com minha mãe eu aprendi
e aprendo todos os dias
a ser mais forte do que eu penso ser
e a ser melhor do que eu era ontem.


Obrigada mãe.

Te amo.

Josane