4 de janeiro de 2016

Sobre o ano novo e novos amores



Então, lá estava eu
cercada de amigos
segurando uma bexiga branca
com uma luz de led dentro.

Meia noite.
Tinha que fazer um pedido e soltá-la.
Só agradeci, não pedi nada.

E vieram os fogos de artificio.
Olhei em volta
vi abraços, sorrisos,
mãos dadas e beijos.
Pensei “puts... um novo amor”
Esqueci de pedir.
Voltei correndo
e só tinha mais uma bexiga.
Destino – pensei.
Ri sozinha.

Fui até lá fora
apertei a linha com força
respirei fundo, abri minha mão
e falei baixinho
“saúde e paz”.

Porque algumas coisas
simplesmente acontecem
quando tem que ser.

Tomei meu champanhe
abracei meus amigos
dancei, cantei
e vi o dia amanhecer.

E que venha o que fizer bem.

Josane H.



11 de dezembro de 2015

Notas sobre ela




Ela era fã do Nicola Piovani.
Tinha uma vitrola na sala,
herança do avô.
Acordar todos os domingos
ao som de “buongiorno principessa”
era sagrado.
Um ritual - como o café bem quente
e doce
que me servia na cama
pontualmente às 9:37.
No exato momento
em que parecia
uma versão de Yann Tiersen.
(1:33)
Minha parte favorita.
Depois se deitava ao meu lado
e fazia cocegas nas minhas costas.


Para H. 
Com carinho 

Josane H. 

25 de setembro de 2015

Eu gosto desse cara



Depois de Amanhã

O que o tempo vai falar de nós
Quando o dia amanhecer
Que dirão cortinas e lençóis
Os beijos sem iguais
Quando a história se escrever
Que cinema vai falar de nós
Quem vai nos interpretar
Quantos livros vão arder
Para nos contradizer
Quando a noite arrebentar
Depois de amanhã
Depois de amanhã
Depois
O que o tempo vai falar depois
Dessa cama naufragar
Dos espelhos refletirem sons
Do chão se partir em dois
Da poeira espantar
Que lembranças vão sobrar de nós
Se não há como adiar
Não há como te expirar de mim
Nem respirar o bastante pra estender esse fim
Depois de amanhã
Depois de amanhã
Depois.
(Filipe Catto)