29 de janeiro de 2015

O que muda você de verdade?

 
Cena filme Forrest Gump


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Ontem, li meu diário de 1994.
Perdi o sono me perguntando:
como eu mudei tanto em vinte anos?

Já pulei do alto de cachoeiras
sem me preocupar com as pedras.
Liguei para um amigo e disse
“vem agora, traz camisinha”.
Peguei carona nos carros com patins
sem capacete, sem joelheiras.
Fui para cama com alguém por tesão
sem amor, sem  sentimento.

O mundo não é exatamente como eu pensava.
E nada aconteceu como imaginei.

Mas aprendi.

É o que vivemos
que define o que somos.
A pergunta que temos que fazer é
“Onde estou agora? Nesse momento?”

Tudo é mutável.
Mudamos conforme vivemos.

Uma roda de amigo jogando conversa fora
se torna algo pequeno
depois que você 
dormiu com uma amiga na porta da cadeia
para ela visitar o irmão de manhã.

Quando seu pai está internado
e você passa a noite ao lado dele no quarto
sem dormir
olhando o peito dele subir e descer
como medo absurdo de parar,
fica difícil ouvir alguém falar de novela.

Ser mais forte que a realidade que te acorda
para continuar sonhando
é o que dá sentido a vida.

Mudar é destino.
É preciso.

Do jeito certo ou errado
uma hora ou outra
a gente aprende.

Aprendemos
por exemplo
a ouvir
quando perdemos a voz
por conta de uma dor de garganta.

Aprendemos
a esperar
quando tudo o que você tinha
se perdeu.

Você aprende
finalmente
que aquela frase que seu avô dizia
“o tempo cura tudo”
quando aquela pessoa que tanto amou
um dia passa por você
e não dói mais.

A vida vai te empurrando
e é você quem escolhe como andar.

Alguns seguem dançando
como em uma micareta.
Alguns caem
e são pisoteados.
Alguns dão as mãos
e seguem juntos.

Escolher as pessoas que estarão ao seu lado
é tão importante quando o pão que te alimenta.

A felicidade só é verdadeira se for compartilhada*

Quero ler esse texto daqui vinte anos
e talvez eu até discorde do que escrevi.

Mas hoje
exatamente hoje
eu sei que é preciso mudar.
E antes de tudo
é preciso se deixar mudar.

Deixar que a vida te mude
é aceitar que errar é humano
e que você só cresce quando perde.

Para as grandes vitórias, grandes lutas.
No final, são as derrotas que nos tornam mais forte.
Não desistir é o que realmente importa.
Seguir em frente é enfrentar.

Quantas vezes for preciso. 

Josane H.
29 de janeiro de 2015



“A felicidade só é verdadeira se for compartilhada”
Christopher McCandless


11 de novembro de 2014

Presente




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Quem me conhece sabe que Almir Sater 
é minha mais nova antiga paixão.
Esse disco instrumental dele é o melhor.
Pra acompanhar essas modas boas a,
um poema bem caipira.
Ótima terça.
Beijo da Jô

.
.

No sertão tem rapadura
Tem peixe seco na feira
Tem cana boa da pura
Tem broa e tem pão carteira
Tem facão e tem trinchete
Tem banco e tem tamborete
Machado foice e peixeira

Chicote de couro cru
Tarrafa anzol landuá
Quixó pra pegar tiú
Fôjo pra pegar preá
Tem alguidá tem tigela
Tem chaleira e tem panela
De barro pra cozinhar

No mato tem aroeira
Mufumbo , anjico e jucá
Oiticica e pitombeira
Juazeiro e trapiá
Cumarú e imburana
Tem pequí tem gitirana

Pereiro e jequitibá
No serrote tem mocó
Na roça tem macaxeira
Na lagoa tem socó
Tem lambu na capoeira
No açude tem traíra
Na serra tem jandaíra

No ôco da catingueira
Tem mandacaru cardeiro
Tem malva e manjirioba
Tem velame e marmeleiro
Jatobá e guabiroba
Tem cipó e tem imbira
Tem pau-ferro e macambira

Baraúna e maniçoba
Tem guará tem guaxinin
Carcará e gavião
Tem gambá e tem sonhím
Tem tejo e camaleão
Ticaca, peba e tatú
Tem cobra surucucu

Gato vermelho e cancão
Na feira tem tapioca
Tem quebra queixo e beiju
Tem bolo de mandioca
Tem manga jaca e caju
Tem fava e tem bode assado
Tem buchada e tem picado

Tem caranguejo e pitu
Tem cabresto pra jumento
Tem rabicho e rabichola
Tem santinho e terço bento
Tem arapuca e gaiola
Botão, carretel de linha
Tem pão de milho e farinha

E cego pedindo esmola
Toda casa e tem toucinho
Pra temperar o feijão
Tem pilão e tem moinho
No terreiro tem capão
Tem silos cheios de milho
Tem mais de quatorze filhos
Cada casal do sertão

Tem vaquejada e seresta
São João pra se festejar
Toda semana tem festa
Forró pra o povo dançar
Violeiros repentistas
Os melhores cordelistas
Que só Deus soube criar

Tem o espinho que fura
E tem a flor do amor
Tem reza forte que cura
Pra quem não vai ao doutor
Tem religiosidade
Tem gente boa “à vontade”
Povo de muito valor

Falo, e posso garantir
Com muita convicção
O mundo há de convir
Lhes dou essa afirmação
Digo com toda a verdade
Não falei nem a metade
Do que tem lá no sertão.


Poema de Edmilson Garcia

30 de outubro de 2014

Conversas boas e novas descobertas



Uma ou duas vezes por semana
fico ao telefone com uma amiga que se mudou pra longe.
Nunca usamos watzap, gostamos de falar.
E nossas conversas acabam sempre 
em novas descobertas musicais.
Ontem, foi essa: novo CD 
em homenagem aos 70 anos de Nelson Motta.
Obrigadaaaa!!!

Trechinho bom da prosa:
- Você tinha tanta certeza de tudo, Jô.
- Mas essa nova fase, cheia de dúvidas, é bem divertida. Até gosto.   
- Alguém um dia falou sobre isso, sobre os tempos de hoje, onde os idiotas tem certeza de tudo, enquanto os sábios estão cheios de dúvidas.
- Hahahaha... eu se fosse sábia não teria dúvidas nenhuma. Se eu fosse sábia, já tinha dado no pé. Viveria de textos semanais vendidos para jornais de cidade pequena sobre contos inconstantes da vida. Alugaria uma casa numa vila de pescadores, com uma rede branca na varanda. Faria amizade com um pescador tocador de viola. Se eu fosse sábia, viveria de pensamentos, de liberdade, de sonhos. Sabe, eu queria era viver de sonhos. Viver de sonho... isso sim é sabedoria.  
- Amanhã escreve isso no blog?
.
.

Taí.

Para ouvir o CD inteiro só clicar aqui





28 de outubro de 2014

Chororô na chuva




.
.
.
- Mas seu Tonho
o senhô me desce mais uma
e me conte sobre esse choro 
que vem quando chove?

Pois eu lhe digo, Dona Maria
o caso que se assucedeu foi o seguinte

fizeram daquele amô
um papel amassado no lixo
cheio de letras com chororô engasgado
rasgado nos versos escritos

fizeram daquele amô
um algodão doce feito de sal
beleza que outrora nuvem
hoje, um gosto de mar
azedo de mal

fizeram daquele amô
um rodamoinho de terra azulada
onde dançam os restos dos girassóis
que ainda enxergam sol
onde há um diacho de escuridão

girassóis que se negam a ser desplantados
que aprenderam a viver sem luz
a Deus dará
como cegos solitários
num barco flutuando no meio do rio

mas veja, minha senhora
era só amô
pobre coitado
o amô mar bonito
que as bandas de cá já ouviu falá

desses que nenhum mal faz, sabe?
daqueles que enchem os zóio d´água
emociona a alma da gente

era só amor, Dona Maria
era só amor...

- e a modi de quê acabô, Seu Tonho?

é como lhe falei
em coração de gente que não sabe o que isso
o amô é só uma palavra
escrita e amassada no papel no lixo

e vamô deixá esse conversê proto dia
que me dá um aperto só de alembrá

aquele amô que existia 
de uma boniteza
nasceu e morreu sem ter morrido

mataram de morte matada

por isso quando chove
aqui por essas bandas
a gente escuta um chororô
vindo lá do alto da cidade

o amô se perdeu sem ter pra onde ir.


Josane H.

27 de outubro de 2014

Paulistana



O que você vai plantar no seu coração
antes da chuva passar?

Corre moça da cidade grande
é estação das flores
solte esses cabelos compridos
que um peito caipira
te enche de sonhos
e realiza teus sorrisos
numa cantoria a beira dos chuviscos.

Corre moça
vem acalmar o teu olhar no meu colo
nesse cantarolar sertanejo do interior
em cada acorde, um carinho
em cada gole, um beijo
canta, canta, vem comigo
longe, perto
solto, livre, como passarinho.

É que esse nosso “conversê”
faz eu “alembrá”
que bem que faz
querer perto alguém assim.


Josane H. 

14 de outubro de 2014

Orgulho de ser caipira

O que eu mais gosto nessa vida?
Roda de amigos com cantoria.