25 de outubro de 2013

Água para matar a sede

Cena do filme "Diário de uma paixão"



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Esses dias uma velha amiga me ligou. Fazia tempo que não nos falávamos e quando percebi que a conversa seria longa, perguntei “onde você tá?”.  

Eu nem sabia que horas eram. Sabia que já passava das onze da noite. Mas nunca é tarde para os amigos.

Quando entrei no apartamento dela, o abraço demorado mostrou que eu deveria ter ido.  
A sala estava com algumas caixas e malas. E nem mesmo o som de Chico fez diminuir aquela sensação de vazio, de tristeza.

Ela me serviu uma cerveja, colocou uns queijinhos na mesa da sacada e antes de falar qualquer palavra, apenas me olhou e disse “uma vez li no seu blog que o amor não dói, Jô, mas dói sim”.

Estudamos juntas, ela queria casar, casou, ter filho, teve, formar uma família, formou. E essa família estava se desfazendo e isso sim doía. Os sonhos dela estavam se desfazendo.

Não somos amigas de se ver sempre. Não nos vemos em nossos aniversários. Nem nos falamos no natal. E por um breve momento, eu sentada ali, ouvindo o que ela tinha pra dizer pensei “cadê as amigas dessa moça?”.

Senti, quando o vento soprou mais forte e passou por mim, que foi Deus quem me colocou ali. E eu tinha que fazer algo por ela. E ouvir já seria um bom começo. Meu pai me ensinou isso. Ouvir. E foi o que eu fiz.

Depois de um tempo percebi que na verdade ela também estava fazendo algo por mim, que talvez nenhuma terapeuta faça.

Existe sim, dor no amor. Mas não no próprio amor. O verdadeiro amor é intocável. Ele nasce, cresce e, sim, pode acabar. E é justamente nesse momento, que a dor aparece e em vários momentos.

Sentir a dor de se perder um amor é necessário, como tomar água para matar a sede.

Primeiro vem a dor de quando a relação acaba. O desejo acabou para a outra pessoa. Você tem que se acostumar com a ausência dela. Isso é difícil. Entender que os velhos costumes não vão existir mais. Que aquele restaurante que vocês frequentavam juntos ficou no passado. Que as conversas até de madrugada não vão acontecer mais.

Com o tempo, surge outra dor. A dor de perceber que a vida pode ser interessante novamente. Talvez com outro alguém, com novos amigos desse outro alguém, com a nova família desse alguém. Aí dói. Por que estamos acostumados ao amor daquela outra que amamos, que nos foi retribuído e vivido intensamente. E você acha que amor igual a esse nunca mais vai ter na vida. Por que era tão bonito, tão verdadeiro, impecável. Você não quer abrir mão daquilo que já viveu. Mas essa é a justamente a questão: já foi, já viveu.

E na verdade, é só o medo de recomeçar que assusta. Você já não ama aquela pessoa mais, como antes, mas gosta do amor que sentia por ela. Se admira por isso. Se admira por tudo o que viveu.

A última dor é a dor de sentir que esse amor já não está mais dentro de você. 

Depois de alcançarmos juntas, eu e ela, essas respostas, compreendemos que era preciso sentir toda essa dor sim. A dor de ver as malas na sala. As caixas com as coisas dele dentro. 

Não falei nada pra ela sobre mim. Não era preciso. Mas falamos sobre essas dores. Todas elas. E foi tão bom pro meu coração. Valeu mais que muitas sessões de terapia.

Nos despedimos com os olhos cheios d´água, mas com a alma limpa. 

Tão limpa quanto o céu de manhãs de outono, depois de chover a noite toda.

Josane H. 


22 de outubro de 2013

Paroxismo Histérico

Tenho sentido muito medo de enlouquecer.
Lendo histórias de mulheres consideras loucas.
Pra ver se sou menos um pouco.
Ou se estou piorando.

E nessa busca de verdades sobre loucura descobri ontem
que a origem da palavra “histeria”vem do grego “HYSTERIA”,
que quer dizer “Ovário”.

Histeria era considerada antigamente uma “doença de mulher”.

Sabe quais eram os sintomas?
Insônia, inchaço abdominal, irritabilidade, “fogo” nas partes íntimas!

E o tratamento?
“Paroxismo Histérico”
Primeira opção de tratamento: Jato com água intensa na "perseguida"
(quem brincou de chuveirinho, sabe o que estou falando).
E ah, quando não funcionava,
os médicos optavam pela segunda opção:
masturbavam as mulheres!

Sim, com as próprias mãos.

O vibrador foi inventado nessa época e era livremente vendido,
não como um aparelho sexual, mas sim como um instrumento
calmante que trazia benefícios para saúde feminina.

Imagina?
- amor, tô com dor de cabeça, vou ali no quarto
fazer um “Paroxismo Histérico” e já volto querido.

Bom, pra resumir. Sabe qual era a cura para Histeria Feminina?
Orgasmos!

Sim. Isso mesmo. ORGASMOS.

Não é engraçado quanta loucura se descobre
entre aqueles que estudam a loucura?

Mas será que é tão loucura assim?

Aí, veio um tal de Freud e sua Psicanálise
e acabou com a alegria da mulherada.
Botou elas no divã. 
Ô pé no saco!

Vibrador virou mais um paradigma.

E alguém disse uma vez:
“Sem música a vida seria um erro”.

Estou pensando - pra terminar o texto:
Sem sexo, gente louca e muita sacanagem...
aí sim, a vida seria um baita erro.
Um erro gigante!

Só coloquei isso no final pra terminar com efeito.
E achei "um erro gigante" bem esdrúxulo.
Sim, eu sei escrever "esdrúxulo". 
Mas... eu penso exatamente assim.
A vida sem sexo, seja pensando em sexo, falando de sexo,
fazendo sexo, esperando pelo sexo...
seria mesmo uma puta chatice! 

Obs.: a cura para Histeria Feminina continua sendo orgasmo em 2013.

Josane H.

E pra finalizar, assistam uma série de vídeos com mulheres
tentando ler enquanto são estimuladas sexualmente.
Adorei!


Incrível!




Você nasceu por que?

Tem gente que nasce para ser médico
Tem gente que nasce para ser mãe
Outros, para ser filho
Gente que nasce para ganhar dinheiro
Outros, para ser feliz
Outros, estão só de passagem
Tem aquele que nasce para ser um bom marido
Também tem aquele que apenas nasce
e morre sem saber por que nasceu

Eu?

Ah, eu nasci para amar.
Eu acho isso bonito.
Acho isso ridículo.

Mas essa sou eu.

Josane H.

21 de outubro de 2013

Leoni sempre Leoni

Só não gosta de Leoni quem não conhece.
Estou encantada - como sempre e mais um pouco.

O bom de gostar do Leoni é que
não importa quanto tempo leva
pra você ouvir ele novamente,
até as mesmas músicas, 
quando você escuta 
é como se estivesse ouvindo
pela primeira vez.

Leoni é sempre Leoni.

Aprendi a amar Leoni, amando.
Todas as vezes.

  

17 de outubro de 2013

Almoço com Rosecler

Minha mãe me ligou ontem à noite e disse “quero comprar um smartphone, Jô, igual esses que vocês usam, entra na internet, vê email, tira foto, tem wat não sei o quê”.

Hoje, liguei cedo pra ela e a chamei pra almoçar comigo no shopping e ver se encontrávamos algum celular bem bacana. Quando parei o carro na frente do seu escritório e ela apareceu, olhei e pensei “puts, que mãe mais bonita que eu tenho”. 

Pensa numa mulher bonita, bem vestida, perfumada. É serio. Essa é a parte boa de ser filha de mãe nova. Minha mãe me teve com 18 anos e isso quer dizer que já temos quase a mesma idade hoje. Praticamente irmãs. No futuro, duas velhinhas aproveitando os bingos da cidade, juntas!

Enfim, almoçamos, demos boas risadas, ela perguntou sobre a nova namorada, sobre o trabalho. Me falou sobre os móveis do escritório, da academia, cirurgia plástica. Conversa vai, conversa vem, comentei sobre a possibilidade de eu ir morar em Goiânia ano que vem, ela olhou e perguntou: você iria, Jô? 

E eu respondi “que graça tem viver longe da família, mãe? Tem que ganhar muito bem pra poder vir todo final de semana pra cá e em um ano comprar uma casa aqui, por que aqui é meu lugar, do seu lado, do meu pai e do meus irmãos...”. Ela riu e disse que eu era boba. Então, me abraçou, pegou na minha cintura e caminhamos assim pelo shopping. 

Compramos o celular que ela queria, comemos um chocolate delicioso e ela ficou parecendo criança, toda feliz e satisfeita. E eu? Eu agradeci em silêncio a Deus, por ter tanta sorte na vida.  


Eu não sei quantos anos Tolstoi tinha quando escreveu que a verdadeira felicidade está entre as alegrias da família. Tenho 34 anos e tenho certeza que não tem mesmo felicidade mais real que a de poder compartilhar momentos com a família. 

Não me vejo morando mais que 100 km de distância da minha mãe ou do meu pai. Isso não quer dizer que não possa morar. Só acho difícil ser mais feliz do que sou com eles aqui, pertinho de mim.

Josane H.

É o que temos pra hoje

Chegou a nova flor
- me apresso toda.
Mas a chuva nem passou
O apreço vai perdendo o preço
e forma uma ilusão de outra forma.
Fica dentro dessa essência infinita
a alma do milagre do amor
e suas reais tempestades.
.
.
Opa! Opa!
Pode parar!
Que merda de texto é esse?
O que é isso aí em cima, Arnaldo?
Ficou péssimo!
Volta 3 casas AGORA!

Bom, vamos de Lulu cantando Roberto
que é o que temos de melhor pra hoje!

Boa quinta!


15 de outubro de 2013

A idiotice é vital para a felicidade

Esses dias atrás, conversando com uma amiga, acabamos brigando por conta do facebook. Veja só que coisa. Ela adicionou uma pessoa que nunca viu na vida, por que esse “carinha” postava coisas legais. Não é um Arnaldo Jabor, ok. Também não possui ideias próprias, ok. Ele escreve certo com “s”, ok. O tipo clássico de pessoa que posta e compartilha mensagensinha “fofas” com fotinhas. Auto ajuda, coisas de guerreiro em ação, falcão, atitude, metáforas de fácil entendimento, natureza, transformação, o poder da vida, experiência. Frases de impacto, não inteligentes, ok.  Até aí tudo bem. Quando fui ver com mais cuidado, percebi nas respostas dos comentários dele que algo estava estranho.

Resolvi (maldita hora): dar uma olhada a fundo. Momento CSI Crime Scene Investigation. Em 10 minutos descobri que aquele homem tinha mais 2 perfis no face, dos tipo Reginaldo Rossi estilizado. Os comentários eram, em sua maioria de mulheres, aparentemente, solitárias. Ele postava o dia inteiro e a madrugada inteira. O tempo todo. Mas o pior - o pior de tudo mesmo - é que ele não sabia onde estavam os próprios filhos. Descobri nos comentários em uma de suas fotos crocodilo dundee, quando ele responde para uma pessoa que perguntou sobre seus filhos: “eu não sei dos meus filhos, nem os reconheceria”. Pensei: opa, não é mesmo boa pessoa! 

Bom, pra resumir. Resolvi avisar minha amiga, já que ela tinha me dito que estava conversando com ele por bate papo. Caí com a cara no chão, claro! Ela achou minha atitude infantil, disse que achava bonito o que essa pessoa postava, que eu não tinha nada a ver com a vida dela. Uma amizade de 30 anos jogada fora.  

Disso tudo, ficaram algumas lições. 

Primeira: nem sempre o que você pensa ser melhor pra alguém é. Segunda: nem sempre virtudes que você admira são as mesmas que outras pessoas admiram. E daí que o cara não cuida dos filhos, ele posta frases bonitas. Terceira: as vezes o melhor que podemos fazer pra nós mesmos é cuidar da nossa vida. E pronto! Essa terceira lição diz tudo e resume o que é a vida: cada um cuidando da sua é melhor!

Hoje, olhei meu facebook umas duas vezes. Curti algumas coisas, falei oi pra um amigo no bate papo. E pensei: que bosta!

Mas, no fundo somos todos um “medrosos”. Medo de sair dessa nave e ficar sem saber de nada. Fulana procriou, a outra chegou da viagem, alguém noivou. Gislaine não postou nada no final de semana? Então não saiu ou tá doente, será? Marilene foi na balada com Ana Lucia? Olha, que falsa! Tamiris postou a foto do casamento e ela estava com vestido lindo de morrer. 

O pior: sair do facebook pode gerar níveis altos de ausência de convites para as festas. Ninguém vai lembrar de você. Que medo, né?

Sabe, eu não posto “partiu trabalho”, nem “partiu piscina”. Aliás, a última vez que postei foi há 20 dias atrás, uma foto de quando era criança e mais de 60 pessoas curtiram. Ui, me senti a celebridade, mas na verdade as pessoas curtiram o texto que escrevi antes das fotos. Isso sim foi bacana. Minha ideia, minhas palavras, eu. Isso por que as pessoas estão ávidas por criatividade de verdade, não só por fotinhas bonitinhas. E? Só que não!

Não sei quanto tempo mais fico dentro dessa nave brega chamada facebook. Tem coisas boas sim. Mas é tão raro. Fico mais um dia, um mês, um ano. Não sei. Só sei que estou bem cansada disso tudo. Cansada de futilidades, do menos, do sonso, do bobo. Cansada da desvalorização do tempo, do intenso, do verdadeiro. 

O virtual cresce, o real se esconde, se enfraquece. O mundo com o facebook é menos solitário, mas deve ser bem mais real, muito mais concreto. Estou bem triste por perder uma amizade. Mas daí, é outra história. Fica pra outro dia. 

Folha de São Paulo
“O Facebook já está infestado de perfis falsos. Não só daqueles que os amigos fazem para "divulgar" uma pessoa conhecida que não está a fim de entrar na rede social. A rede está cheia de perfis falsos mesmo, daqueles mal-intencionados.” (Marion Strecker - é jornalista e cofundadora do UOL) Folha de São Paulo 

Revista Época
 “O hábito de olhar o face estava tomando uma proporção incômoda. Deixava a página aberta enquanto trabalhava, sempre dando uma olhadinha. Aí vinha a vontade de debater com aquele amigo que publicou uma frase que, para mim, era preconceituosa ou não fazia sentido. Alguém respondia, eu retrucava. Eram comentários e mais comentários… E ninguém mudava de opinião; eu, inclusive. Tinha uma postura passiva: esperava receber as notícias. Se o amigo não postava muito no Facebook, eu ficava sem saber nada sobre ele. Gostei mais da minha rotina sem o facebook. Sobrou mais tempo; irrito-me menos; fortaleci as relações mais importantes para mim.” (Juliana Doretto - jornalista Colunista da Época)

Jornal Estadão
“O Wall Street Journal divulgou uma pesquisa que afirma que mais de 1/3 dos divórcios nos EUA tem a palavra “Facebook” citada no processo. O estudo é da Divorce Online, uma empresa de advogados.”

E já que falei do Arnaldo Jabor e de frases prontas...
Vou finalizar meu texto com essa ó - prontinha:
 “A idiotice é vital para a felicidade”.

Também termino esse texto com a canção que fala sobre “Solidão” do Alceu Valença. Esse já é o grande mal da humanidade: a solidão. Talvez, por isso, tantas pessoas estão se enchendo do um conforto falso e ilusório que as redes sociais proporcionam. Viramos submissos da solidão.  Acreditamos fielmente que estamos cheios de gente por perto. Nossa, 500 amigos no face? Olha?!

No fundo, nunca estivemos tão sozinhos.
E fim. Era o que havia para o momento.  

Josane H.