depois dos 40 reciprocidade deixa de ser acessório e se torna uma lingerie vermelha linda, bem foda, que a gente veste com segundas intenções pra pagar na mesma
moeda delícia mesmo é quando o que vai, volta sabe como é? é isso o resto é tipo aqueles brincos comprados em lojinhas
de 1 real que a gente insiste em
usar até orelha ficar preta entenda: cada minuto que passa é um minuto a menos viva o que é recíproco
Eu tenho 10 minutos antes da próxima reunião do dia. Estou aqui ouvindo Tenesse Whiskey imaginando você dançando comigo. E nos meus pensamentos seu corpo se encaixa perfeitamente entre meus braços que parece estarmos suspensas no ar. Ouço a respiração que vem da sua boca chegando pertinho do meu ouvido enquanto te abraço mais forte, até o seu coração encostar no meu. É a cena mais bonita que eu já sonhei viver com alguém.
Despedir-se de uma
história que já se viveu é menos dolorido do que dizer adeus para
o que se desejou viver o tempo me ensinou a levantar
de mesas onde o amor já não era
mais servido onde o café era doce, porém
frio e tortas eram quentes,
porém sem sabor me lembro de todas as
vezes que me levantei de cada mesa, voltando
a cadeira no lugar lentamente e me despedindo do que
eu deixava pra trás até se tornarem boas
lembranças mas o tempo... o tempo não
me preparou para me despedir do
sonho que sonhamos juntas não me preparou para despedir-me
dela e de todos os momentos
que desejei “corre atrás, Jô” ouço essa frase rompendo
minhas artérias e tudo o que penso é
que se eu conseguir talvez nunca confie
nela novamente e por isso – só por
isso – permaneço assim com meus pés no chão e aquela frase “viver é melhor que
sonhar” faz mais sentido agora pra
mim Josane H.
Acho que é por que eu estava feliz comigo antes de você chegar e parecia que tudo bem então deixar você entrar depois de sete anos, contei olha eu, mudando coisas de lugar tirando a poeira da estante desacomodando minha rotina como pode, ne? em câmera lenta observo o coque que você faz no meio da aula e que se solta rapidamente eu fico louca é isso, penso é essa leveza que quero é esse “sem pressa” altruísta esse programa bom que vai acontecer algum dia se esparramando na nossa vida “imprevisível, como você chegou” Ps. a gente se fala quando o dia
terminar
O amor é
correlativo
a gente sabe quando começa
quando termina
como age, quem ganha, quem perde é por isso
que me deslumbra o que vem antes dele não se enganem,
meus amigos o que vem
antes do amor é o jogo mais perigoso de se jogar nunca dá pra saber o que vem pela frente e esse
improvável que reina pode machucar a autêntica
e inofensiva bravura de se vivenciar o desconhecido e pular da montanha mais alta sem saber o que há embaixo demanda excessiva
perseverança é preciso coragem para se viver profundamente tudo o que
vem antes do amor são poucos os
que saltam de cabeça para o inexplorado a maioria fica lá em cima atados em suas cordas não se atrevem mas também nunca voam e você? quem é você antes do amor? Josane H.
(clica pra ouvir enquanto lê, fica bemmm mais gostosim)
Quando você termina um relacionamento, qual a sensação? De que não deu certo ou de que foi maravilhoso enquanto durou? Pois bem, vou compartilhar uma historinha.
Esses dias conheci um casal que estão juntos há mais de 50 anos. Fiquei encantada observando os dois sempre juntos no spa que estávamos. Davam risadas entre eles, se curtindo de verdade. Meu coração encheu de alegria só de ver. Esse não enjoar um do outro me deslumbra.
Então, eu estava nadando e eles se aproximaram. Iniciamos uma boa conversa na piscina. Sabe aqueles filmes gravados no final de tarde, com tons alaranjados e sorrisos? Pois é, daria um curta belíssimo a nossa prosa... minha, com a Marta e o Teodoro. Falamos sobre a vida, trabalho, música e... sobre vinhos (e é claro que o Teo foi um senhor bem gentil e verdadeiro gentleman ao dizer que vinho bom é o que a gente gosta de tomar, depois de me ouvir dizer que odiava vinho seco – para a morte súbita de qualquer sommelier). Sutileza, né migos?
Como sou muito “conversadeira” (com orgulho, tá?), viramos amigos de trocar até telefone e marcar almoço na cidade onde eu moro.
E então me peguei agora pouco pensando tanto sobre o que conversamos.
É uma bobeira essa mania nossa de dizer “não deu certo, acabou”, esperando encontrar aquela pessoa que fique pra vida inteira, não? Analisando aqui meus 42 anos de idade e meus últimos 26 anos de relacionamentos, puts, eu fui tããão feliz, mesmo, em todos eles. Não foi o tempo todo não, fui feliz nos detalhes, até por que felicidade é isso, né?
Eu fui feliz num café da manhã e um misto quente queimado com muita risada, fui feilz numa noite em que cheguei cansada e fui recebida com um abraço apertado, fui feliz dançando La Is La Bonita na sala e imitando Tina Turner, fui extremamente feliz enquanto olhava os olhos sorrindo de quem eu amava me olhando, feliz com as flores no meio de uma tarde, feliz acendendo todas as velas dentro de um quarto antes de fazer amor. Esse exercício que fiz agora em lembrar dos momentos que fui feliz é uma das melhores formas de se perdoar alguém (isso não quer dizer voltar).
Se eu quero encontrar alguém que fique a vida toda? Até o final? Quem não quer? Mas hoje, com a maturidade (que espero até perder um pouco quando amar de novo – e tomara que eu perca) aprendi a viver de VERDADE o hoje. Eu gosto daqueles amores loucos de filme, sabe? Das loucuras que a gente faz pra conquistar? Isso me acende o coração e a mente. Eu fico tão mais criativa e concentrada, de um jeito intenso e único. Agora, meus amigos, com toda franqueza de uma mulher safra 1979 que já viveu muito e que acredita que ainda há 100 anos pela frente para morrer de amores e continuar viva: não duvidem nem por um minuto, o amor eterno é – sem dúvida alguma – o amor próprio. É esse que deve ir com você até o final.
Eu sempre
tive medo da água. Mesmo assim nunca entrei aos poucos nela. Fosse em alto mar,
no meio do rio, na represa escura, na água que forma embaixo de uma cachoeira.
Eu sempre pulo com tudo, como se fosse a última vez, aproveitando como ninguém
cada segundo. Enquanto nado, sinto medo do que tem embaixo, mas a sensação de
flutuar me convence a aproveitar.
Assim eu
vivi os meus três grandes amores. E se Bukowski e Jobim estiverem certos,
acabei de usar meu terceiro bilhete essa noite. Desci do trem com a alma lavada,
me sequei, coloquei a roupa mais quentinha e passei reto na frente do guichê.
De cabeça erguida e coração arejado, como nunca antes.
Enquanto
caminho agora, carrego na mochila desbotada algumas lembranças das minhas três
longas viagens. Sinceramente, eu não sei quanto tempo leva para atravessar
todas as experiências que o amor pode nos proporcionar. Há quem diga “segundos”.
Há quem diga “5kg de sal”. Pra mim, foram vinte e seis anos. Exatos vinte seis
anos, sempre com pensamento em alguém. Vivendo todos os dias por outra pessoa. Nunca
foi só por mim em nenhum dia da minha vida desde os meus dezesseis. Se por um
lado tudo ficava mais bonito quando eu estava junto a pessoa que amava, por outro
não me lembro de acordar ou ir dormir sem que eu pensasse o que a faria feliz. Não
lembro de pensar em mim e isso me assusta um pouco agora aos 41 anos. Mas não
me arrependo. Eu não me arrependo absolutamente de nada.
É mentira o
que falam sobre experiências de vida. Eu posso até dizer aqui que nas próximas vezes
eu entrarei aos poucos na água ao invés de pular com tudo. Será uma velha e
popular mentira, dessas que as pessoas que escrevem contam, para deixar seus
textos mais atraentes nos finais. Besteira. Hoje a certeza que tenho é que tá
bom viajar sozinha. E eu jamais – jamais – imaginei que diria isso um dia.